{"id":98,"date":"2014-09-09T18:43:00","date_gmt":"2014-09-09T21:43:00","guid":{"rendered":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/os-tres-cabelos-de-ouro-do-diabo-original-grimms\/"},"modified":"2025-07-27T19:25:46","modified_gmt":"2025-07-27T22:25:46","slug":"os-tres-cabelos-de-ouro-do-diabo-original-grimms","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/os-tres-cabelos-de-ouro-do-diabo-original-grimms\/","title":{"rendered":"Os tr\u00eas cabelos de ouro do diabo ::Original  Grimms"},"content":{"rendered":"<div style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<a href=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEg9WaBunTFDjhtv6z3t7Th4G6sVZVYDC3jIM73hUFWvB8KK9F20Y7A8Fnx2uG-8gFh5nnBChoB9LXvT4f6WkWf3iJlNO8koSs8snGL407QlcNrji2E-XMezUDkHVhu_J3oa-B9_x_Q-Rgw\/s1600\/Untitled-3.png\" style=\"clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEg9WaBunTFDjhtv6z3t7Th4G6sVZVYDC3jIM73hUFWvB8KK9F20Y7A8Fnx2uG-8gFh5nnBChoB9LXvT4f6WkWf3iJlNO8koSs8snGL407QlcNrji2E-XMezUDkHVhu_J3oa-B9_x_Q-Rgw\/s1600\/Untitled-3.png\" height=\"320\" width=\"273\" \/><\/a><\/div>\n<p>H\u00e1 muitos e muitos anos, numa casinha pobre, nasceu um menino bonito e forte, mas que, ao contr\u00e1rio de todas as outras crian\u00e7as, nasceu com todos os dentes na boca. Os pais, assim que o viram, ficaram muito assusta-os, pensando se tratar de alguma bruxaria. As vizinhas, entretanto, os tranquilizaram, dizendo que nascer com dentes era sinal de boa sorte. E uma delas, que era considerada feiticeira, profetizou que o menino, ao completar quinze anos, se casaria com a filha do imperador do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Um dia, quando o menino ainda era bem pequeno, o imperador passou casualmente pela vila e ouviu contar a hist\u00f3ria da crian\u00e7a, que era chamada de o &#8220;Filho da Sorte.&#8221; Indignado com a possibilidade de ver sua filha casada com um tipo qualquer, pobre e de origem humilde, o imperador resolveu dar um jeito de impedir que a profecia se cumprisse.<\/p>\n<p>Dizendo-se um rico comerciante, apresentou-se na casa onde vivia o Filho da Sorte. Tomou a crian\u00e7a nos bra\u00e7os e, fingindo-se encantado com sua beleza, disse aos pais que era muito rico e n\u00e3o tinha ningu\u00e9m a quem deixar sua heran\u00e7a. Por isso, gostaria muito de poder levar o beb\u00ea e cri\u00e1-lo como se fosse seu filho. O casal, a princ\u00edpio, n\u00e3o aceitou a proposta, mas o imperador foi t\u00e3o h\u00e1bil e convincente que os fez acreditar que daria ao menino uma vida muito melhor do que ele teria naquela casa pobre.<\/p>\n<p><a name='more'><\/a><\/p>\n<p>Assim, o perverso imperador levou consigo o pequeno Filho da Sorte e, logo que se viu sozinho, fora da cidade, colocou-o numa caixa e atirou-a ao rio, na certeza de que ela afundaria, matando a crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas o menino parecia merecer mesmo o nome de Filho da Sorte, pois a caixa, em vez de afundar, saiu flutuando rio abaixo, indo parar no a\u00e7ude de um moinho.<\/p>\n<p>Um velho moleiro que ali trabalhava, pensando ter encontrado um tesouro, foi correndo tirar a caixa da \u00e1gua. Quando a abriu, ficou comovido por ver uma crian\u00e7a t\u00e3o linda e esperta abandonada para morrer. Como n\u00e3o tinha filhos, levou o beb\u00ea para casa. A mulher do moleiro ficou muito feliz, e o Filho da Sorte cresceu ali, rodeado pelo carinho dos pais adotivos.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>O tempo passou e, um dia, alguns meses depois que o menino havia completado quinze anos, o imperador e sua comitiva viajavam pela regi\u00e3o quando caiu uma tempestade muito forte. Como n\u00e3o havia nada por perto a n\u00e3o ser o moinho, o imperador foi obrigado a pedir abrigo na casa do velho moleiro.<\/p>\n<p>O casal de velhos o recebeu muito bem. Para que o tempo passasse mais depressa, ficaram conversando com o imperador. N\u00e3o demorou para que a beleza e a vivacidade do Filho da Sorte chamassem a aten\u00e7\u00e3o do monarca, que perguntou ao moleiro se o menino era seu filho. A mulher, inocentemente, respondeu-lhe que n\u00e3o, e acabou contando a hist\u00f3ria de como haviam encontrado a crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando ela terminou de falar, os olhos do imperador estavam vermelhos de \u00f3dio, pois ele logo se deu conta de quem era o rapaz. Furioso por ele ainda estar vivo, come\u00e7ou imediatamente a pensar num jeito de liquidar o mo\u00e7o de uma vez.<\/p>\n<p>Como estava no meio de uma grande via\u00adgem e demoraria muitos meses para voltar ao pal\u00e1cio, o imperador ficou com medo de que a profecia se concretizasse durante sua au\u00ads\u00eancia. Assim, resolveu agir rapidamente e, dando algumas moedas aos velhos, pediu-lhes que deixassem o rapaz levar uma mensagem \u00e0 rainha, na capital do reino. Em seguida, mandasse \u00e0 sua mulher ordenando que ela mandasse executar imediatamente o rapaz que lhe entregasse aquela carta.<\/p>\n<p>No dia seguinte, bem cedinho, l\u00e1 se foi o Filho da Sorte na dire\u00e7\u00e3o da capital do reino, sem saber que levava nas m\u00e3os sua pr\u00f3pria lenten\u00e7a de morte.<\/p>\n<p>Andou o dia inteiro, sem descanso, pois queria chegar logo ao pal\u00e1cio. No entanto, como nunca havia deixado a vila em que mo\u00adrava, o rapaz se desviou do caminho certo e acabou se perdendo no meio da floresta.<\/p>\n<p>Quando j\u00e1 estava anoitecendo, o Filho da Sorte viu, numa clareira, uma cabana, onde resolveu pedir ajuda. Bateu \u00e0 porta e uma velhinha muito bondosa veio atender. \u00c1 mulher o acolheu com simpatia e, depois de ouvir sua hist\u00f3ria, deu-lhe de comer e de be\u00adber, mas avisou-lhe que seria melhor ele n\u00e3o dormir ali, pois aquela cabana servia de es\u00adconderijo a perigosos ladr\u00f5es, que certamen\u00adte o matariam quando o encontrassem.<\/p>\n<p>O rapaz, entretanto, n\u00e3o teve medo e in\u00adsistiu tanto que a boa senhora arranjou-lhe um canto da cabana onde pudesse dormir aquela noite.<\/p>\n<p>De madrugada, quando o Filho da Sorte dormia a sono solto, chegaram os ladr\u00f5es. A velha, temendo pela vida de seu h\u00f3spede, avi\u00adsou aos malfeitores que havia algu\u00e9m na ca\u00adbana, mas que se tratava apenas do filho de um moleiro que estava a caminho da capital para levar uma carta do imperador \u00e0 mulher.<\/p>\n<p>O chefe dos bandidos ficou muito curioso para saber o conte\u00fado da carta e a abriu para ler. Ao ver a maldade que estava fazendo com o pobre rapaz, ficou indignado e resolveu pregar uma pe\u00e7a no malvado soberano. Imitando a letra do imperador, escreveu uma nova mensagem \u00e0 rainha, ordenando que ela casasse imediatamente a princesa com o portador daquela carta. Em seguida, queimou a carta verdadeira e colocou a outra em seu lugar.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 seguinte, o Filho da Sorte, sem saber de nada, partiu. Orientado pelo pr\u00f3prio chefe dos ladr\u00f5es, encontrou facilmente o caminho certo para a capital e horas depois se apresentava no pal\u00e1cio.<\/p>\n<p>A rainha, ao ler a mensagem que julgava ler de seu marido, preparou tudo para o casamento, que se realizou naquela mesma tarde, na capela do pal\u00e1cio.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>Meses depois o imperador voltou de sua viagem e, vendo sua filha casada com o filho do moleiro, ficou furioso com a mulher, lista, sem entender por que o marido estava t\u00e3o bravo, mostrou-lhe a carta que havia re\u00adcebido. Como n\u00e3o havia mais rem\u00e9dio para a situa\u00e7\u00e3o, o imperador decidiu n\u00e3o punir nem a mulher nem o genro, para a felicidade da princesa, que gostava muito do marido. Por outro lado, era imposs\u00edvel aceitar que a princesa vivesse casada com um tipo qual\u00adquer, sem eira nem beira, como aquele; por isso o imperador chamou o genro e lhe disse:<\/p>\n<p>&#8211; Para eu consentir que voc\u00ea e minha filha continuem vivendo juntos, \u00e9 preciso que voc\u00ea se torne digno de ser um pr\u00edncipe rea\u00adlizando alguma fa\u00e7anha. Por isso, eu lhe dou uma tarefa para cumprir: quero que v\u00e1 at\u00e9 o inferno e traga de l\u00e1 tr\u00eas cabelos de ouro do Diabo. Se conseguir realizar esse feito, quando voltar eu o farei pr\u00edncipe.<\/p>\n<p>O Filho da Sorte, esperto e valente como era, partiu sem demora rumo ao inferno.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>Caminhou durante muitos dias, at\u00e9 che\u00adgar \u00e0 porta de uma grande cidade, onde uma sentinela lhe perguntou que problemas ele sabia resolver.<\/p>\n<p>&#8211; Todos! &#8211; respondeu o rapaz.<\/p>\n<p>&#8211; Todos?! &#8211; disse o guarda. &#8211; Ent\u00e3o fa\u00e7a-me o favor de dizer por que a fonte do nosso mercado, que antes jorrava um vinho delicioso, agora est\u00e1 t\u00e3o seca que n\u00e3o solta nem uma gota de \u00e1gua!<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o posso responder agora &#8211; ele res\u00adpondeu -, mas, se me deixar passar, eu lhe trarei a resposta na volta.<\/p>\n<p>A sentinela, confiando na palavra do rapaz, abriu as portas da cidade para que ele passasse.<\/p>\n<p>O Filho da Sorte seguiu seu caminho e alguns dias depois chegou \u00e0 porta de uma outra cidade, onde havia outra sentinela que tamb\u00e9m lhe perguntou que problemas ele sa\u00adbia resolver.<\/p>\n<p>&#8211; Todos! &#8211; respondeu ele mais uma vez.<\/p>\n<p>&#8211; Ah, \u00e9? &#8211; disse a sentinela. &#8211; Ent\u00e3o me responda por que \u00e9 que a \u00e1rvore grande dos jardins do nosso rei, que antes dava fru\u00adtos de ouro, agora est\u00e1 t\u00e3o seca que n\u00e3o tem nem uma folha mais!<\/p>\n<p>&#8211; Nao posso responder agora &#8211; disse o mo\u00e7o -, mas, se me deixar passar, eu lhe trarei a resposta na volta!<\/p>\n<p>O guarda tamb\u00e9m acreditou em sua pa\u00adlavra e o deixou seguir.<\/p>\n<p>Alguns dias depois, o filho do moleiro che\u00adgou a um grande rio que precisava atraves\u00adsar para chegar ao inferno. S\u00f3 havia ali um barqueiro que, ao v\u00ea-lo, perguntou a mesma coisa que as duas sentinelas. Quando ouviu o rapaz dizer que sabia resolver todos os pro\u00adblemas, o barqueiro, interessado, disse-lhe:<\/p>\n<p>&#8211; Meu jovem, se voc\u00ea sabe mesmo de tudo, ent\u00e3o me explique logo por que eu pre\u00adciso ficar a vida inteira sendo barqueiro, atra\u00advessando gente de um lado para outro do rio, sem nunca encontrar uma alma boa que ve\u00adnha me substituir neste trabalho!<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o sei explicar o motivo &#8211; disse o Filho da Sorte -, mas, se me levar \u00e0 outra margem, prometo que na volta eu trarei a resposta \u00e0 sua pergunta!<\/p>\n<p>O barqueiro tamb\u00e9m acreditou na pala\u00ad<br \/>\nvra do Filho da Sorte e o levou para o outro<br \/>\nlado do rio.<\/p>\n<p>Bem perto dali ficava a porta do inferno. O rapaz bateu bem forte e esperou ser aten\u00addido. Algum tempo depois, apareceu \u00e0 porta a av\u00f3 do Diabo, dizendo que seu neto n\u00e3o estava. Como ela parecia ser uma boa pes\u00adsoa, o mo\u00e7o contou-lhe sua hist\u00f3ria, e a velha, condoendo-se da sua situa\u00e7\u00e3o, resolveu ajud\u00e1-lo.<\/p>\n<p>&#8211; Mas se o meu neto o encontrar aqui &#8211; disse ela -, vai ficar t\u00e3o furioso que vai que\u00adrer mat\u00e1-lo no mesmo instante e com\u00ea-lo as\u00ad sado no jantar. Por isso preciso escond\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Assim, a velha transformou o Filho da Sorte numa formiguinha e o escondeu numa das dobras de sua saia.<\/p>\n<p>Minutos depois, chegava em casa o Dia\u00adbo, e j\u00e1 vinha faminto, pois havia sentido cheiro de carne humana, seu prato predileto. Farejou por todos os cantos do inferno, mas, como nada encontrasse, a velha lhe disse:<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea anda com mania de sentir cheiro<br \/>\nde gente! Venha comer que eu matei um franguinho novo especialmente para. o seu jantar!<\/p>\n<p>O Diabo comeu at\u00e9 fartar-se e, depois, como era seu costume, deitou-se no colo da av\u00f3 para que ela lhe fizesse cafun\u00e9. Dali a pouco, dormia profundamente e a velhinha aproveitou-se disso para arrancar o primeiro fio de ouro de sua cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8211; Ai! &#8211; gritou Satan\u00e1s. &#8211; Que \u00e9 que<br \/>\nvoc\u00ea est\u00e1 fazendo, minha avozinha?<\/p>\n<p>&#8211; Nada &#8211; respondeu a velha. &#8211; \u00c9 que tive um sonho mau e acordei agarrada em seus cabelos!<\/p>\n<p>&#8211; E qual foi o sonho que teve? &#8211; pergun\u00adtou o Diabo.<\/p>\n<p>&#8211; Sonhei que a fonte do mercado de uma cidade, que antigamente s\u00f3 jorrava vi\u00adnho, agora anda t\u00e3o seca que n\u00e3o solta nem uma gota de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Satan\u00e1s deu uma gostosa gargalhada e depois respondeu:<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 verdade! \u00c9 verdade! \u00c9 que existe uma pedra tampando o nascedouro da fonte!<br \/>\nSe a tirarem, a fonte voltar\u00e1 imediatamente a jorrar vinho.<\/p>\n<p>A av\u00f3 do Diabo voltou a fazer cafun\u00e9 na cabe\u00e7a do neto e logo depois ele dormia t\u00e3o pesado que roncava. Quando estava num sono ferrado, a velha aproveitou para arran\u00adcar o segundo fio de cabelo.<\/p>\n<p>&#8211; Ai! Ai! Ai! &#8211; fez ele de novo. &#8211; O que \u00e9 que aconteceu agora?<\/p>\n<p>&#8211; Eu sonhei outra vez! &#8211; disse a av\u00f3.<\/p>\n<p>Desta vez foi com uma outra cidade onde havia, no jardim do rei, uma \u00e1rvore que dava frutos de ouro e que agora est\u00e1 cada dia mais seca!<\/p>\n<p>O Diabo riu gostosamente e respondeu:<\/p>\n<p>&#8211; Isto tamb\u00e9m \u00e9 verdade, minha av\u00f3! E sabe por que a \u00e1rvore secou? Porque em\u00ad baixo dela h\u00e1 um rato que diariamente r\u00f3i suas ra\u00edzes. Se matarem o rato, a \u00e1rvore fi\u00adcar\u00e1 verde outra vez. Se o deixarem l\u00e1, ela ficar\u00e1 cada dia mais seca, at\u00e9 morrer!<\/p>\n<p>Depois de dizer isso, Satan\u00e1s ajeitou de novo a cabe\u00e7a no colo da av\u00f3 e, logo, emba\u00adlado pelo cafun\u00e9, dormia outra vez. A velhi\u00adnha aproveitou ent\u00e3o para arrancar o tercei\u00adro fio e ele, acordando por causa da dor, gri\u00adtou furioso:<\/p>\n<p>&#8211; Ai, minha av\u00f3! Seus sonhos v\u00e3o aca\u00adbar me deixando careca! O que foi desta vez?<\/p>\n<p>&#8211; Sonhei com um barqueiro &#8211; disse a av\u00f3 &#8211; que se queixava de ficar eternamente passando gente de uma margem para outra&lt; do rio sem nunca encontrar algu\u00e9m que o substitu\u00edsse nesse trabalho sem fim!<\/p>\n<p>&#8211; Ah! &#8211; respondeu o Diabo, dando outra gargalhada. &#8211; Esse barqueiro \u00e9 um bobo! Se ele quiser sair de l\u00e1, \u00e9 preciso apenas que abandone os remos na m\u00e3o da primeira pes\u00adsoa que aparecer pedindo para passar \u00e0 outra margem do rio! A pessoa n\u00e3o ter\u00e1 outro re\u00adm\u00e9dio sen\u00e3o tomar o lugar do barqueiro!<\/p>\n<p>Como j\u00e1 estava de posse dos tr\u00eas fios de cabelo, e j\u00e1 havia obtido as respostas para as tr\u00eas perguntas, a velhinha finalmente dei\u00adxou Satan\u00e1s dormir sossegado.<\/p>\n<p>Logo de manh\u00e3, dizendo ao neto que ia buscar \u00e1gua, a av\u00f3 do Diabo saiu do inferno e retirou a formiguinha da dobra da saia, restituindo ao Filho da Sorte a forma huma\u00adna. De posse das tr\u00eas respostas, o rapaz pe\u00adgou os tr\u00eas fios de cabelo de ouro e, depois de agradecer muito \u00e0 -velhinha, iniciou o ca\u00adminho de volta.<\/p>\n<p>Logo chegava outra vez \u00e0 margem do grande rio e o barqueiro, ansioso, perguntou pela sua resposta.<\/p>\n<p>&#8211; Primeiro voc\u00ea precisa me levar ao outro lado &#8211; respondeu o rapaz.<\/p>\n<p>E, assim que o barqueiro o atravessou, o mo\u00e7o ensinou-lhe como deveria fazer para escapar da sina de ser barqueiro eternamen\u00adte. Muito feliz, o homem agradeceu a ajuda e o Filho da Sorte seguiu seu caminho.<\/p>\n<p>Depois de alguns dias, chegava ao port\u00e3o da cidade onde existia a \u00e1rvore que dava fru\u00adtos de ouro. Ensinou \u00e0 sentinela o que se de\u00advia fazer para recuperar a \u00e1rvore, e o ho\u00admem, agradecido, deu-lhe como recompensa dois jumentos carregados de ouro e pedras preciosas.<\/p>\n<p>Mais \u00e0 frente, passou outra vez pelo por\u00adt\u00e3o da cidade cuja fonte de vinho havia se\u00adcado. A sentinela logo indagou da resposta e o mo\u00e7o ensinou-lhe o que fazer, conforme havia ouvido da boca de Satan\u00e1s. Muito feliz, o guarda deu-lhe mais dois jumentos carre\u00adgados de ouro e l\u00e1 se foi o Filho da Sorte, rumo ao reino de seu sogro.<\/p>\n<p>Chegou ao pal\u00e1cio muito satisfeito, pois, al\u00e9m de haver cumprido a fa\u00e7anha exigida, estava agora muito rico.<\/p>\n<p>A princesa, sua esposa, o recebeu com muita alegria e o imperador, depois de ter em m\u00e3os os tr\u00eas cabelos de ouro e ver a ri\u00adqueza que o genro trazia, permitiu que ele vivesse com sua filha e o tornou pr\u00edncipe.<\/p>\n<p>Tudo ia muito bem no pal\u00e1cio, mas o im\u00adperador era muito ambicioso e morria de curiosidade para descobrir como e onde o genro havia conseguido tantas riquezas.<\/p>\n<p>Um dia, n\u00e3o resistindo mais, acabou per\u00adguntando, e o Filho da Sorte lhe respondeu:<\/p>\n<p>&#8211; Foi muito f\u00e1cil, meu sogro! No cami\u00adnho para o inferno h\u00e1 um grande rio onde est\u00e1 sempre um barqueiro que atravessa todas as pessoas. \u00c9 s\u00f3 pedir para ele atravess\u00e1-lo e colher, na margem de l\u00e1, todo o ouro que pu\u00adder carregar, pois o ouro ali \u00e9 a areia do ch\u00e3o!<\/p>\n<p>&#8211; E eu posso ir at\u00e9 l\u00e1 pegar ouro para mim tamb\u00e9m? &#8211; perguntou o imperador.<\/p>\n<p>&#8211; Claro, meu sogro! &#8211; respondeu o ra\u00adpaz. &#8211; \u00c9 s\u00f3 falar com o barqueiro!<\/p>\n<p>O ganancioso imperador saiu logo na ma-nh\u00e3 seguinte, ansioso por encontrar o lugar onde havia tanta riqueza. Viajou por v\u00e1rios dias e, de fato, acabou encontrando o barqueiro. Este, que aguardava ansiosamente o aparecimento de algu\u00e9m, assim que o impe\u00adrador lhe pediu que o atravessasse, entregou-lhe com satisfa\u00e7\u00e3o os remos e disse: \u2013 Atravesse voc\u00ea mesmo, ora! Movido pela ambi\u00e7\u00e3o, o imperador acei\u00adtou a tarefa e saiu remando, enquanto o bar-queiro, feliz da vida, sa\u00eda por esse mundo afora, livre outra vez.<\/p>\n<p>E dizem que at\u00e9 hoje o imperador est\u00e1 l\u00e1, Cumprindo a eterna tarefa de atravessar gen\u00adte de um lado para outro do rio.<\/p>\n<p>Quanto ao Filho da Sorte, viveu feliz por muitos e muitos anos, junto com a princesa, sua amada esposa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muitos e muitos anos, numa casinha pobre, nasceu um menino bonito e forte, mas que, ao contr\u00e1rio de todas as outras crian\u00e7as, nasceu com todos os dentes na boca. Os pais, assim que o viram, ficaram muito assusta-os, pensando se tratar de alguma bruxaria. As vizinhas, entretanto, os tranquilizaram, dizendo que nascer com dentes era sinal de boa sorte. E uma delas, que era considerada feiticeira, profetizou que o menino, ao completar quinze anos, se casaria com a filha do imperador do pa\u00eds. Um dia, quando o menino ainda era bem pequeno, o imperador passou casualmente pela vila e ouviu contar a hist\u00f3ria da crian\u00e7a, que era chamada de o &#8220;Filho da Sorte.&#8221; Indignado com a possibilidade de ver sua filha casada com um tipo qualquer, pobre e de origem humilde, o imperador resolveu dar um jeito de impedir que a profecia se cumprisse. Dizendo-se um rico comerciante, apresentou-se na casa onde vivia o Filho da Sorte. Tomou a crian\u00e7a nos bra\u00e7os e, fingindo-se encantado com sua beleza, disse aos pais que era muito rico e n\u00e3o tinha ningu\u00e9m a quem deixar sua heran\u00e7a. Por isso, gostaria muito de poder levar o beb\u00ea e cri\u00e1-lo como se fosse seu filho. O casal, a princ\u00edpio, n\u00e3o aceitou a proposta, mas o imperador foi t\u00e3o h\u00e1bil e convincente que os fez&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":418,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[22],"class_list":["post-98","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-contos","tag-contos","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=98"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":419,"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98\/revisions\/419"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/418"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=98"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=98"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=98"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}