{"id":337,"date":"2007-01-14T20:18:00","date_gmt":"2007-01-14T22:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/deus-e-bem-bom\/"},"modified":"2025-07-28T22:30:04","modified_gmt":"2025-07-29T01:30:04","slug":"deus-e-bem-bom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/deus-e-bem-bom\/","title":{"rendered":"Deus \u00e9 bem bom&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #3366ff;\">De Henriqueta Lisboa.<\/span><\/p>\n<p><b>Deus \u00e9 bem bom&#8230;<\/p>\n<p><\/b><\/p>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<b><a href=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEjUIm45f4ZBDBmD-lOQPfHsqF4ZrY43qapKME8ZKqz1qtuziUbF7DuMUZklbCB9aL-cb9GTIGm2D9vVoKpH-wf9ObmWL24S339-nuDPhIKBE96zXAKn9EJ6Hs-YLbVjBsej5h9xI7BnrdY\/s1600\/amor-casal-de-maos-dadas-silhuetas-em-poente-fundo.gif\" style=\"clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEjUIm45f4ZBDBmD-lOQPfHsqF4ZrY43qapKME8ZKqz1qtuziUbF7DuMUZklbCB9aL-cb9GTIGm2D9vVoKpH-wf9ObmWL24S339-nuDPhIKBE96zXAKn9EJ6Hs-YLbVjBsej5h9xI7BnrdY\/s1600\/amor-casal-de-maos-dadas-silhuetas-em-poente-fundo.gif\" height=\"191\" width=\"320\" \/><\/a><\/b><\/div>\n<p><b>Havia um pescador, casado, pobre como J\u00f3, mais que vivia com sua mulher, sempre alegre  e satisfeito, dizendo:<br \/>\n-Deus \u00e9 bem bom mulher!<br \/>\n-bem bom marido! \u2013 respondia ela.<br \/>\nTodas as vezes que ele ia vender peixe no pal\u00e1cio do rei, este, que n\u00e3o gostava de ouvir falar no nome de Deus, ficava aborrecido com aquela cantilena dos pobres pescadores. Um dia disse o rei consigo:<br \/>\n-deixem estar, que fa\u00e7o voc\u00eas acabarem com esse Deus \u00e9 bem bom&#8230;<\/b><br \/>\n<a name='more'><\/a><b><br \/>\nDe uma feita quando o pescador foi vender o seu peixe, o rei pegou numa j\u00f3ia muito rica e disse-lhe:<br \/>\n-Toma esta j\u00f3ia e me guarda ela at\u00e9 o dia em que eu te pedir.<br \/>\nAssim que o pobre saiu o rei mandou um criado acompanh\u00e1-lo  de longe para ver onde ele guardava a j\u00f3ia, roubando-a depois e atirando-a ao mar. Isso mesmo o criado fez. Quando o pescador chegou na choupana, foi dizendo \u00e1 mulher:<br \/>\n-Deus \u00e9 bem bom mulher!<br \/>\n-Bem bom marido!<br \/>\nEm seguida, contou o que lhe havia acontecido em pal\u00e1cio rematando:<br \/>\n-Onde \u00e9 que a gente vai guardar essa j\u00f3ia aqui? Pode chegar um ladr\u00e3o e roubar ela. Depois nem n\u00f3s vendidos temos dinheiro para comprar outra.<br \/>\nAfinal, sa\u00edram pela praia e, chegando a um p\u00e9 de coqueiro, cavaram um buraco bem fundo, no qual deitaram a j\u00f3ia, metida dentro de um saquinho. Em seguida, taparam bem o buraco. Quando acabaram o trabalho, disse o homem:<br \/>\n-Deus \u00e9 bem bom mulher!<br \/>\n-Bem bom marido!<br \/>\nE, satisfeit\u00edssimos, foram embora. O criado do rei que estava escondido, espiando onde eles iam esconder a j\u00f3ia, quando o pescador e a mulher estavam bem longe, cavou de novo o buraco, tirou a j\u00f3ia, sacudiu-a ao mar e correu para o pal\u00e1cio.<br \/>\nOra, meu senhor, l\u00e1 continuaram os dois pobres muito contentes da vida, sempre com o \u201cDeus \u00e9 bem bom\u201d na boca. Dias depois, o rei mandou-os chamar e ordenou-lhes que fossem buscar a j\u00f3ia que lhes dera para guardar.<br \/>\n-Deus \u00e9 bem bom mulher!<br \/>\n-Bem bom marido!<br \/>\nDiziam eles, descendo as escadas do pal\u00e1cio. Encaminharam-se para o lugar onde haviam enterrado a j\u00f3ia. L\u00e1 chegando cavaram, cavaram, sem nada encontrar. Puseram as m\u00e3os na cabe\u00e7a exclamando:<br \/>\n-Estamos perdidos! O rei nos manda passar o cutelo.<br \/>\nSa\u00edram por ali a fora chorando, contudo, deixarem de afirmar:<br \/>\n-Deus \u00e9 bem bom mulher!<br \/>\n-Bem bom marido!<br \/>\nChegando em casa, n\u00e3o tiveram mais coragem para nada. Passado algum tempo, o homem disse:<br \/>\n-Mulher, eu sei que nos espera a morte. Vamos nos despedir dos nossos peixes.<br \/>\nChegando no mar, deram um lan\u00e7o e pegaram uma pescada grande e gorda que fazia gosto. Ent\u00e3o voltaram para casa, dizendo um para o outro, na forma do costume, q Deus \u00e9 bem bom. Em casa o pescador prop\u00f4s:<br \/>\n-Mulher vamos tratar essa pescada para n\u00f3s comer. Quando acabar vamos nos apresentar ao rei. Ao menos havemos de morrer com barriga cheia.<br \/>\nA mulher escamou o peixe, e, quando lhe passou a faca na barriga para abri-la, sentiu uma coisa ranger, perguntando de si para si o q seria aquilo. Abrindo a barriga da pescada, encontrou a j\u00f3ia do rei dentro dela. Gritou a pobre, doida de alegria:<br \/>\n-Deus \u00e9 bem bom marido! Olha aqui a j\u00f3ia do rei meu senhor! Deus \u00e9 bem bom marido!&#8230;<br \/>\n-Bem bom mulher!<br \/>\nCozinharam o peixe, comeram, descansaram bem, depois coseram a j\u00f3ia num cinto bem cosida. O homem amarrou o cinto no corpo e l\u00e1 se foram os dois para o pal\u00e1cio, dando pinotes de contentamento. Assim que o rei os foi avistando foi logo perguntando:<br \/>\n-Cad\u00ea minha j\u00f3ia?<br \/>\nO homem desabotoou o cinto, descoseu-o, tirou a j\u00f3ia, apresentou-a ao rei, que ficou friinho de espanto, vendo semelhante coisa. Ent\u00e3o intimou-os, sob pena de morte, a contarem como tinham encontrado a j\u00f3ia, referindo os dois que se havia passado.<br \/>\nO rei, convencido de que Deus \u00e9 mesmo bom, mandou-os embora, depois de lhes ter dado tanto dinheiro, que chegou para eles passarem descansados o resto da vida, sempre contentes e dizendo sempre:<br \/>\n-Deus \u00e9 bem mulher!<br \/>\n-Bem bom marido!<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De Henriqueta Lisboa. Deus \u00e9 bem bom&#8230; Havia um pescador, casado, pobre como J\u00f3, mais que vivia com sua mulher, sempre alegre e satisfeito, dizendo: -Deus \u00e9 bem bom mulher! -bem bom marido! \u2013 respondia ela. Todas as vezes que ele ia vender peixe no pal\u00e1cio do rei, este, que n\u00e3o gostava de ouvir falar no nome de Deus, ficava aborrecido com aquela cantilena dos pobres pescadores. Um dia disse o rei consigo: -deixem estar, que fa\u00e7o voc\u00eas acabarem com esse Deus \u00e9 bem bom&#8230; De uma feita quando o pescador foi vender o seu peixe, o rei pegou numa j\u00f3ia muito rica e disse-lhe: -Toma esta j\u00f3ia e me guarda ela at\u00e9 o dia em que eu te pedir. Assim que o pobre saiu o rei mandou um criado acompanh\u00e1-lo de longe para ver onde ele guardava a j\u00f3ia, roubando-a depois e atirando-a ao mar. Isso mesmo o criado fez. Quando o pescador chegou na choupana, foi dizendo \u00e1 mulher: -Deus \u00e9 bem bom mulher! -Bem bom marido! Em seguida, contou o que lhe havia acontecido em pal\u00e1cio rematando: -Onde \u00e9 que a gente vai guardar essa j\u00f3ia aqui? Pode chegar um ladr\u00e3o e roubar ela. Depois nem n\u00f3s vendidos temos dinheiro para comprar outra. 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