{"id":336,"date":"2007-02-01T22:45:00","date_gmt":"2007-02-02T00:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/a-fonte-das-tres-comadres\/"},"modified":"2025-07-28T22:29:55","modified_gmt":"2025-07-29T01:29:55","slug":"a-fonte-das-tres-comadres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/a-fonte-das-tres-comadres\/","title":{"rendered":"A Fonte das tres Comadres"},"content":{"rendered":"<div dir=\"ltr\" style=\"text-align: left;\">\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<a href=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEg1O5sUEUG5K8ZW8zIbvDef7onDu5Osi-8dnCqq9WjJ3qe3npMwuMoucj4KudBbTCwyF_qKbk1D5nTTiNNipBnLK9mVuUCadgXMnixEVnaSL7EsyG55Lnp08kR7qb7HKqyUM0UoqrYCNvQ\/s1600\/fonte-tres-comadres-1.jpg\" style=\"clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"1256\" data-original-width=\"1059\" height=\"320\" src=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEg1O5sUEUG5K8ZW8zIbvDef7onDu5Osi-8dnCqq9WjJ3qe3npMwuMoucj4KudBbTCwyF_qKbk1D5nTTiNNipBnLK9mVuUCadgXMnixEVnaSL7EsyG55Lnp08kR7qb7HKqyUM0UoqrYCNvQ\/s320\/fonte-tres-comadres-1.jpg\" width=\"269\" \/><\/a><\/div>\n<p><span style=\"color: black;\"><span style=\"color: white;\"><span style=\"color: red;\">Estou pensando em toda semana postar aqueles contos antigos que j\u00e1 nao \u00e9 mais contado hoje em dia&#8230; s\u00f3 aquelas vovozinhas que contam para n\u00f3s, aquele conto gostoso que nunca cansamos de reler e ouvir&#8230; \u00e9 s\u00e3o esses contos que eu vou postar aqui, s\u00e3o eles que fizeram minha infancia e cada um desses contos que eu posta<\/span><span style=\"color: red;\">rei ensinam <\/span><\/span><\/span><span style=\"color: red;\"><span style=\"color: white;\"><span style=\"color: red;\">uma coisa bonita uma filosofia verdadeira&#8230; bem l\u00e1 vai espero que gostem:<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: center;\">\n<b>A FONTE DAS TRES COMADRES<br \/>\n<span style=\"color: #3366ff; font-weight: normal;\">De Henriqueta Lisboa.<\/span><\/b><\/div>\n<p>\nHavia um rei que cegou. Depois de ter empregado todos os recursos da medicina, deixou de usar de rem\u00e9dios, e j\u00e1 estava desenganado de que nunca mais chegaria a recobrar a vista. Mas uma vez foi uma velhinha a pal\u00e1cio pedir uma esmola, e, sabendo que o rei estava cego, pediu para falar com ele, para lhe ensinar um rem\u00e9dio. O rei mandou-a entrar, e ent\u00e3o ela disse:<br \/>\n<a name='more'><\/a><br \/>\n-Saber\u00e1 vossa real majestade, que lhe possa fazer voltar a vista, e vem a se banhar os olhos com a \u00e1gua tirada da \u201cfonte das tr\u00eas comadres\u201d. Mas \u00e9 muito dif\u00edcil ir-se a essa fonte, que fica no reino mais longe que h\u00e1 daqui. Quem for buscar a \u00e1gua, deve-se entender com uma velha que existe perto da fonte, e ela \u00e9 quem deve indicar se o drag\u00e3o est\u00e1 acordado ou dormindo. O drag\u00e3o \u00e9 um monstro que guarda a fonte, que fica atr\u00e1s de umas montanhas. O rei deu uma quantia \u00e1 velha e a despediu.<br \/>\nMandou preparar uma esquadra pronta de tudo e enviou o seu filho mais velho para ir buscar a \u00e1gua, dando-lhe um ano para estar de volta, n\u00e3o devendo ele saltar em parte alguma para n\u00e3o se distrair.<br \/>\nO mo\u00e7o partiu. Depois de andar muito foi aportar a um reino muito rico, saltou para terra e namorou-se l\u00e1 das festas e das mo\u00e7as, despendeu tudo quanto levava, contraiu dividas, e, passado um ano, n\u00e3o voltou para casa de seu pai. O rei ficou muito ma\u00e7ado e mandou preparar nova esquadra e enviou seu filho do meio para buscar a \u00e1gua das fontes das tr\u00eas comadres. O mo\u00e7o partiu, e, depois de muito andar, foi ter justamente o reino em que estava j\u00e1 arrasado seu irm\u00e3o mais velho. Meteu-se l\u00e1 tamb\u00e9m no pagode e nas festas, p\u00f4s fora tudo que levava, e, no fim de um ano, tamb\u00e9m n\u00e3o voltou. O rei ficou muito desgostoso. Ent\u00e3o o seu filho mais mo\u00e7o, que ainda era menino, se lhe apresentou e disse:<br \/>\n-Agora eu quero ir, meu pai, lhe garanto que hei de trazer a \u00e1gua!<br \/>\nO rei mancou com ele dizendo:<br \/>\n-Se teus irm\u00e3os que eram homens, nada conseguiram, o que far\u00e1s tu?<br \/>\nMas o principezinho insistiu, e a rainha aconselhou o rei de mand\u00e1-lo dizendo:<br \/>\n-Muitas vezes donde n\u00e3o se espera da\u00ed \u00e9 que vem.<br \/>\nO rei anuiu e mandou preparar uma esquadra, e enviou o pr\u00edncipe pequeno. Depois de muito navegar, o mocinho foi dar \u00e1 terra onde estavam presos por d\u00edvidas os seus irm\u00e3os, pagou as dividas deles, que foram soltos. Quiseram dissuadi-lo de continuar a viagem e o convidaram para ali ficar com eles, mais o menino n\u00e3o quis e continuou sua derrota. Depois de muito ainda navegar, o pr\u00edncipe chegou ao lugar indicado pela velha. Desembarcou sozinho levando uma garrafa, e foi ter \u00e1 casa da velha, vizinha da fonte, a qual, quando o viu, ficou muito admirada, dizendo:<br \/>\n-\u00d3 meu netinho, o que veio c\u00e1 fazer?!Isto \u00e9 um perigo voc\u00ea talvez n\u00e3o escape. O monstro que guarda a fonte, que fica ali entre aquelas montanhas, \u00e9 uma princesa encantada que tudo devora. Voc\u00ea procure uma ocasi\u00e3o em que ela esteja dormindo para poder chegar, e repare bem que quando a fera est\u00e1 com os olhos abertos \u00e9 que ela est\u00e1 dormindo, e quando est\u00e1 com eles fechados \u00e9 que est\u00e1 acordada. O pr\u00edncipe tomou suas precau\u00e7\u00f5es e partiu. Chegando l\u00e1 na fonte avistou a fera com os olhos abertos. Estava dormindo. O mocinho se aproximou e come\u00e7ou a encher sua garrafa, quando j\u00e1 ia retirando a fera acordou e lan\u00e7ou-se sobre ele dizendo:<br \/>\n-Quem te mandou vir a meus reinos mortal seu atrevido?<br \/>\nO mo\u00e7o ia-se defendendo com sua espada at\u00e9 que feriu a fera, e com o sangue ela se desencantou; e ent\u00e3o disse:<br \/>\n-Eu devo me casar com aquele que me desencantou; dou te um ano para vires me buscar para casar, sen\u00e3o eu te irei ver.<br \/>\nA fera era uma princesa a coisa mais linda que dar-se podia. Em sinal para ser o pr\u00edncipe conhecido quando viesse, a princesa lhe deu uma de suas camisas.<br \/>\nO pr\u00edncipe partiu de volta para a terra de seus pais, quando chegou ao reino onde estavam seus irm\u00e3os, os levou para bordo para voltarem para seus pais. Os outros pr\u00edncipes seguiram com ele. O menino tinha guardado sua garrafa no seu ba\u00fa e os irm\u00e3os queriam roub\u00e1-la para lhe fazer mal e se apresentarem ao pai como se tinha sido eles que tinham alcan\u00e7ado a \u00e1gua das fontes das tr\u00eas comadres. Para isso propuseram ao pequeno dar-se um banquete a bordo da esquadra a toda oficialidade, em comemora\u00e7\u00e3o a ter ele conseguido arranjar o rem\u00e9dio para o rei. O pequeno consentiu, e no banquete os seus irm\u00e3os, de prop\u00f3sito, propuseram muitas sa\u00fades, com o fim de o embriagarem e poderem roubar-lhe a garrafa do ba\u00fa. O pequeno de fato bebeu demais e ficou \u00e9brio; os manos ent\u00e3o tiraram a chave do ba\u00fa, que ele trazia consigo, e abriram-no e tiraram a garrafa d\u2019\u00e1gua, e botaram outra no lugar, cheia de \u00e1gua do mar.<br \/>\nQuando a esquadra se apresentou na terra do rei, todos ficaram muitos satisfeitos, sendo o pr\u00edncipe menino recebido com muitas festas, mas quando foi botar a \u00e1gua nos olhos do rei, este desesperou com o ardor, e ent\u00e3o os seus outros dois filhos se apresentaram, dizendo que o pequeno era um impostor, e que tinham trazido a verdadeira \u00e1gua, deitaram ela nos olhos de pai, o qual sentiu logo o mundo se clarear e ficou vendo, como dantes.<br \/>\nHouve grandes festas no pal\u00e1cio e o pr\u00edncipe mais mo\u00e7o foi mandado matar. Mais os matadores tiveram pena de matar e o deixaram numas brenhas cortando-lhe apenas um dedo, que levaram ao rei. O menino foi dar \u00e1 casa de um roceiro, que o tomou como seu escravo e muito o maltratava. Passado um ano chegou o tempo em que ele tinha de voltar para se ir casar, segundo tinha prometido \u00e1 princesa da fonte das tr\u00eas comadres e, n\u00e3o aparecendo ela mandou aparelhar uma esquadra muito forte e partiu para o reino do mo\u00e7o pr\u00edncipe. Chegando l\u00e1 mandou \u00e1 terra um parlamentar avisar ao rei para lhe mandar o pr\u00edncipe, que h\u00e1 um ano tinha ido \u00e1 seus reinos buscar um rem\u00e9dio, e que ele tinha prometido casamento, isto sobre pena de mandar fazer fogo sobre a cidade. O rei ficou muito agoniado e o mais velho de seus filhos se apresentou a bordo, dizendo que era ele. Chegando a bordo a princesa lhe disse:<br \/>\n-Homem atrevido que \u00e9 do sinal de nosso reconhecimento?<br \/>\nEle que nada tinha, nada respondeu e voltou para terra muito enfiado.Mova intima\u00e7\u00e3o para terra e ent\u00e3o foi o segundo filho do rei , mais o mesmo lhe aconteceu. A princesa mandou acender os morr\u00f5es e mandou nova intima\u00e7\u00e3o \u00e1 terra. O rei ficou aflit\u00edssimo, supondo que tudo se ia acabar, porque seu ultimo filho tinha sido morto por sua ordem. A\u00ed os dois encarregados de o matar declararam que o tinham deixado com vida, cortando-lhe apenas um dedo. Ent\u00e3o mais que depressa, se mandaram comiss\u00e1rio por toda a parte procurando o pr\u00edncipe, dando os sinais dele, e prometendo um premio a quem o trouxesse . o roceiro que o tinha em casa ficou mais morto do que vivo, quando soube que ele era filho do rei; botou o logo nas costas e o levou para o pal\u00e1cio chorando.<br \/>\nO pr\u00edncipe foi logo lavado e preparado com sua roupa, que a rainha tinha guardado, e que j\u00e1 lhe estava um pouco apertada e curta. O prazo que a princesa tinha concedido j\u00e1 estava a expirar, e j\u00e1 se iam acendendo os morr\u00f5es para bombardear a cidade, quando o pr\u00edncipe fez sinal de que j\u00e1 ia. Chegando \u00e1 esquadra, foi logo reconhecido pela princesa, que lhe exigiu o sinal do reconhecimento e ele lho apresentou. Ent\u00e3o seguiu com ela com quem se casou e foi governar um dos mais ricos reinos do mundo. Descoberta assim a pabulagem dos dois filhos mais velhos do rei, foram eles amarrados \u00e1s caudas de cavalos brabos e morreram despeda\u00e7ados.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estou pensando em toda semana postar aqueles contos antigos que j\u00e1 nao \u00e9 mais contado hoje em dia&#8230; s\u00f3 aquelas vovozinhas que contam para n\u00f3s, aquele conto gostoso que nunca cansamos de reler e ouvir&#8230; \u00e9 s\u00e3o esses contos que eu vou postar aqui, s\u00e3o eles que fizeram minha infancia e cada um desses contos que eu postarei ensinam uma coisa bonita uma filosofia verdadeira&#8230; bem l\u00e1 vai espero que gostem: A FONTE DAS TRES COMADRES De Henriqueta Lisboa. Havia um rei que cegou. Depois de ter empregado todos os recursos da medicina, deixou de usar de rem\u00e9dios, e j\u00e1 estava desenganado de que nunca mais chegaria a recobrar a vista. 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