{"id":320,"date":"2007-08-30T00:30:00","date_gmt":"2007-08-30T03:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/a-moura-torta\/"},"modified":"2025-07-28T22:19:06","modified_gmt":"2025-07-29T01:19:06","slug":"a-moura-torta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/a-moura-torta\/","title":{"rendered":"A Moura torta"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: bold;\">A MOURA TORTA<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: bold;\"><\/span><span style=\"color: #3366ff;\">De Henriqueta Lisboa.<\/span><\/div>\n<p>\n<a href=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEhut97qBimUk88YFo3qsn9zwEZwXlrqwJnBEEMgmkBJTKpu8Fu6EN1d2dTaOD9FBQ0v8G22m9NeCTm8Is36z_sMpvvTXHyBbn3DihOcMNaUrV6H5B0EYaeCNklQyCd17cg6gWvn6YKS8EU\/s1600-h\/moura1.gif\" style=\"clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" border=\"0\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5104331533361950050\" src=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEhut97qBimUk88YFo3qsn9zwEZwXlrqwJnBEEMgmkBJTKpu8Fu6EN1d2dTaOD9FBQ0v8G22m9NeCTm8Is36z_sMpvvTXHyBbn3DihOcMNaUrV6H5B0EYaeCNklQyCd17cg6gWvn6YKS8EU\/s200\/moura1.gif\" style=\"float: left; margin-bottom: 10px; margin-left: 0pt; margin-right: 10px; margin-top: 0pt;\" \/><\/a><span style=\"font-size: 85%; font-weight: bold;\">Era uma vez um rei que tinha um filho \u00fanico, e este, chegando a ser rapaz, pediu para correr mundo. N\u00e3o houve outro rem\u00e9dio sen\u00e3o deixar o pr\u00edncipe seguir viagem como desejava. Nos primeiros tempos nada aconteceu de novidades. O pr\u00edncipe andou, andou, dormindo aqui e acol\u00e1, passando fome e frio. Numa tarde ia ele chegando a uma cidade quando uma velhinha, muito corcunda, carregando um feixe de gravetos, pediu uma esmola. O pr\u00edncipe, com pena da velhinha, deu dinheiro bastante e colocou nos ombros o feixe de gravetos, levando a carga at\u00e9 pertinho das ruas. A velha agradeceu muito, aben\u00e7oou e disse:- Meu netinho, n\u00e3o tenho nada para lhe dar: leve essas frutas para regado mas s\u00f3 abra perto das \u00e1guas correntes. Tirou da sacola suja tr\u00eas laranja e entregou ao pr\u00edncipe, que as guardou e continuou sua jornada.Dias depois, na hora do meio-dia, estava morto de sede e lembrou-se das laranjas.&nbsp;<\/span><span style=\"font-size: 14px; font-weight: bold;\">Tirou uma, abriu o canivete e cortou. Imediatamente a casca abriu para um lado e outro e pulou de dentro uma mo\u00e7a bonita como os anjos, dizendo:- Quero \u00e1gua! Quero \u00e1gua!N\u00e3o havia \u00e1gua por ali e a mo\u00e7a desapareceu. O pr\u00edncipe ficou triste com o caso. Dias passados sucedeu o mesmo. Estava com sede e cortou a Segunda laranja. Outra mo\u00e7a, ainda mais bonita, apareceu, pedindo \u00e1gua pelo amor de Deus.O pr\u00edncipe n\u00e3o p\u00f4de arranjar nem uma gota. A mo\u00e7a sumiu-se como uma fuma\u00e7a, deixando-o muito contrariado.<\/span><br \/>\n<a name='more'><\/a><br \/>\n<span style=\"font-size: 85%; font-weight: bold;\"> Noutra ocasi\u00e3o o pr\u00edncipe tornou a Ter muita sede. Estava j\u00e1 voltando para o pal\u00e1cio de seu pai. Lembrou-se do sucedido com as duas mo\u00e7as e andou at\u00e9 um rio corrente. Parou e descascou a \u00faltima laranja que a velha lhe dera. A terceira mo\u00e7a era bonita de fazer raiva. Muito e muito mais bonita que as duas outras. Foi logo pedindo \u00e1gua e o pr\u00edncipe mais que depressa lhe deu. A mo\u00e7a bebeu e desencantou, come\u00e7ando a conversar com o rapaz e contando sua hist\u00f3ria. Ficaram namorados um do outro. A mo\u00e7a estava quase nua e o pr\u00edncipe viajava a p\u00e9, n\u00e3o podendo levar sua noiva naqueles trajes. Mandou subir para uma \u00e1rvore, na beira do rio, despediu-se dela e correu para casa. Nesse momento chegou uma escrava negra, cega de um olho, a quem chamavam a Moura Torta. A negra baixou-se para encher o pote com \u00e1gua do rio mas avistou o rosto da mo\u00e7a que se retratava nas \u00e1guas e pensou que fosse o dela. Ficou assombrada de tanta formosura. Meu Deus! Eu t\u00e3o bonita e carregando \u00e1gua? N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel&#8230; Atirou o pote nas pedras, quebrando-o e voltou para o pal\u00e1cio, cantando de alegria. Quando a viram voltar sem \u00e1gua e toda importante, deram muita vaia na Moura Torta, brigaram com ela e mandaram que fosse buscar \u00e1gua, com outro pote. L\u00e1 voltou a negra, com o pote na cabe\u00e7a, sucumbida. Meteu o pote no rio e viu o rosto da mo\u00e7a que estava na \u00e1rvore, mesmo convencida da pr\u00f3pria beleza. Sacudiu o pote bem longe e regressou para o pal\u00e1cio, toda cheia de si. Quase a matam de vaias e de pux\u00f5es. Deram o terceiro pote e amea\u00e7aram a negra de uma surra de chibata se ela chegasse sem o pote cheio d&#8217;\u00e1gua. L\u00e1 veio a Moura Torta no destino. Mergulhou o pote no rio e tornou a ver a face da mo\u00e7a. Esta, n\u00e3o podendo conter-se com a vaidade da negra, desatou uma boa gargalhada. A escrava levantou a cabe\u00e7a e viu a causadora de toda sua complica\u00e7\u00e3o.- Ah! \u00c9 voc\u00ea, minha mo\u00e7a branca? Que est\u00e1 fazendo a\u00ed, feito passarinho? Des\u00e7a para conversar comigo. A mo\u00e7a, de boba, desceu, e a Moura Torta pediu para pentear o cabelo dela, um cabel\u00e3o louro e muito comprido que era um primor. A mo\u00e7a deixou. A Moura Torta deitou a cabe\u00e7a no seu colo e come\u00e7ou a catar, dando cafun\u00e9 e desembara\u00e7ando as tran\u00e7as. Assim que a viu muito entretida, fechando os olhos, tirou um alfinete encantado e fincou-o na cabe\u00e7a . esta deu um grito e virou-se numa rolinha, saindo a voar. A negra trepou-se na mesma \u00e1rvore e ficou esperando o pr\u00edncipe, como a mo\u00e7a lhe tinha dito, de boba. Finalmente o pr\u00edncipe chegou, numa carruagem dourada, com os criados e criadas trazendo roupa para vestir a noiva. Encontrou a Moura Torta, feia como a mis\u00e9ria. O pr\u00edncipe assim que a viu, ficou admirado e perguntou a raz\u00e3o de tanta mudan\u00e7a. A Moura Torta disse:- O sol queimou minha pele e os espinhos furaram meu olho. Vamos esperar que o tempo melhore e eu fique como era antes.O pr\u00edncipe acreditou e l\u00e1 se foi a Moura Torta de carruagem dourada, feito gente. O rei e a rainha ficaram de caldo vendo uma nora t\u00e3o horrenda como a negra. Mas, palavra de rei n\u00e3o volta atr\u00e1s e o prometido seria cumprido. O pr\u00edncipe anunciou seu casamento e mandou convite aos amigos A Moura Torta n\u00e3o acreditava nos olhos. Vivia toda coberta de seda e perfumada, dando ordens e ainda mais feia do que carregando o pote d&#8217;\u00e1gua. Todos antipatizavam com a futura princesa.Todas as tardes o pr\u00edncipe vinha descansar no jardim e notava que uma rolinha voava sempre ao redor dele, piando triste e fazer fpena. Aquilo sucedeu tantas vezes que o pr\u00edncipe acabou ficando impressionado. Mandou um criado armar um la\u00e7o num galho e a rolinha ficou presa. O criado levou a rolinha ao pr\u00edncipe e este a segurou com delicadeza, alisando as peninhas. Depois co\u00e7ou a cabecinha da avezinha e encontrou um caro\u00e7o duro.<br \/>\nPuxou e saiu um alfinete fino. Imediatamente a mo\u00e7a desencantou-se e apareceu bonita como os amores. O pr\u00edncipe ficou sabendo da malvadeza da negra escrava. Mandou prender a Moura Torta e contou a todo o mundo a perversidade dela, condenando-a a morrer queimada e as cinzas serem atiradas ao vento. Fizeram uma fogueira bem grande e sacudiram a Moura Torta dentro, at\u00e9 que ficou reduzida a poeira. A mo\u00e7a casou com o pr\u00edncipe e viveram como Deus com seus anjos, querida por todos. Entrou por uma perna de pinto e saiu por uma de pato, mandou dizer El-Rei Meu Senhor que me contassem quatro&#8230; <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A MOURA TORTA De Henriqueta Lisboa. Era uma vez um rei que tinha um filho \u00fanico, e este, chegando a ser rapaz, pediu para correr mundo. 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Imediatamente a casca abriu para um lado e outro e pulou de dentro uma mo\u00e7a bonita como os anjos, dizendo:- Quero \u00e1gua! Quero \u00e1gua!N\u00e3o havia \u00e1gua por ali e a mo\u00e7a desapareceu. O pr\u00edncipe ficou triste com o caso. Dias passados sucedeu o mesmo. Estava com sede e cortou a Segunda laranja. 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