{"id":308,"date":"2008-01-09T20:18:00","date_gmt":"2008-01-09T22:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/a-protegida-de-maria\/"},"modified":"2025-07-28T22:11:31","modified_gmt":"2025-07-29T01:11:31","slug":"a-protegida-de-maria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/a-protegida-de-maria\/","title":{"rendered":"A Protegida de Maria"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 85%;\"><a href=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEhswdGoSCPjYP_Eqft3AS-THB2gPp4IyVr540UIrWFSilaPg7MRDq48ViDHtBM8nCu0tU5V3AA7-t_IbWoXlVuh06DF4Q0XZLB7wXQGQbGV3D1DGTWvMO9U_OAi0XIw5lAIaLEpqYf1CL4\/s1600-h\/casa.jpg\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" border=\"0\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5153621240873032770\" src=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEhswdGoSCPjYP_Eqft3AS-THB2gPp4IyVr540UIrWFSilaPg7MRDq48ViDHtBM8nCu0tU5V3AA7-t_IbWoXlVuh06DF4Q0XZLB7wXQGQbGV3D1DGTWvMO9U_OAi0XIw5lAIaLEpqYf1CL4\/s200\/casa.jpg\" style=\"cursor: pointer; float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt;\" \/><\/a>Na orla de uma extensa floresta morava um lenhador e sua esposa. Eles tinham apenas uma filha, que era uma menina de tr\u00eas anos. Mas eles eram t\u00e3o pobres que n\u00e3o tinham mais o p\u00e3o de cada dia e j\u00e1 n\u00e3o sabiam o que haveriam de dar-lhe para comer. Certa manh\u00e3 o lenhador foi com grande preocupa\u00e7\u00e3o at\u00e9 a floresta para cuidar de seu trabalho e, quando estava cortando lenha, l\u00e1 apareceu de repente uma mulher alta e bela que trazia na cabe\u00e7a uma coroa de estrelas cintilantes e lhe disse &#8220;Sou a Virgem Maria, m\u00e3e do Menino Jesus, e tu \u00e9s pobre e necessitado: traga-me tua filha, vou lev\u00e1-la comigo, ser sua m\u00e3e e cuidar dela.&#8221; O lenhador obedeceu, foi buscar a filha e entregou-a \u00e0 Virgem Maria, que a levou consigo para o C\u00e9u. L\u00e1 a menina passava muito bem, comia p\u00e3o doce e bebia leite a\u00e7ucarado, e seus vestidos eram de ouro, e os anjinhos brincavam com ela.<a name='more'><\/a> Quando completou quatorze anos, a Virgem Maria a chamou e disse &#8220;Querida menina, partirei em uma longa viagem; tome sob tua guarda as chaves das treze portas do reino celestial; tu poder\u00e1s abrir doze delas e contemplar os esplendores que h\u00e1 l\u00e1 dentro, mas a d\u00e9cima terceira, cuja chave \u00e9 esta pequena aqui, est\u00e1 proibida para ti: cuidado para n\u00e3o abri-la, pois seria a tua infelicidade.&#8221; A menina prometeu ser obediente e, quando a Virgem Maria havia partido, come\u00e7ou a olhar os c\u00f4modos do reino celestial: a cada dia abria um deles, at\u00e9 que todos os doze tinham sido vistos. Em cada um dos c\u00f4modos estava sentado um ap\u00f3stolo cercado de grande esplendor, e toda aquela suntuosidade e magnific\u00eancia dava grande alegria a ela, e os anjinhos, que sempre a acompanhavam, alegravam-se tamb\u00e9m. At\u00e9 que, ent\u00e3o, faltava apenas a porta proibida, e ela sentiu um grande desejo de saber o que estava escondido atr\u00e1s dela. Por isso disse aos anjinhos &#8220;N\u00e3o abrirei a porta por inteiro e tamb\u00e9m n\u00e3o entrarei, mas vou entreabri-la para olharmos um pouquinho pela fresta&#8221;. &#8220;Oh, n\u00e3o,&#8221; disseram os anjinhos, &#8220;seria um pecado: a Virgem Maria proibiu fazer isso, al\u00e9m do mais, isso poderia facilmente trazer-te a desgra\u00e7a.&#8221; Ent\u00e3o ela se calou, mas o desejo n\u00e3o silenciou em seu cora\u00e7\u00e3o, mas, ao contr\u00e1rio, continuou roendo e corroendo-a com for\u00e7a, n\u00e3o lhe permitindo ficar em paz. E certa vez, quando os anjinhos haviam todos sa\u00eddo, pensou &#8220;Agora estou totalmente sozinha e poderia olhar l\u00e1 dentro, afinal, ningu\u00e9m ficar\u00e1 sabendo o que fiz&#8221;. Procurou a chave e, t\u00e3o logo a apanhou, enfiou-a na fechadura e, uma vez ela estando l\u00e1, sem pensar duas vezes, girou-a. A porta abriu de um salto e ela viu a Trindade sentada em meio ao fogo e \u00e0 luz. Ficou parada um momento, observando tudo com assombro, depois tocou de leve com o dedo aquela luz, e o dedo ficou totalmente dourado. No mesmo instante foi tomada de intenso pavor, bateu a porta com for\u00e7a e correu dali. Mas o pavor n\u00e3o diminu\u00eda, ela podia fazer o que fosse mas o cora\u00e7\u00e3o continuava batendo acelerado e n\u00e3o havia como acalm\u00e1-lo: assim tamb\u00e9m o ouro continuou no dedo e n\u00e3o sa\u00eda de jeito algum, n\u00e3o importa o quanto lavasse e esfregasse.<\/span> <br \/>\n<span style=\"font-size: 85%;\">N\u00e3o passou muito tempo e a Virgem Maria retornou de sua viagem. Ela chamou a menina e solicitou as chaves de volta. Quando ela apresentou o molho, a Virgem olhou em seus olhos e perguntou: &#8220;E n\u00e3o abriste mesmo a d\u00e9cima terceira porta?&#8221; &#8220;N\u00e3o&#8221;, respondeu. Ent\u00e3o ela pousou a m\u00e3o sobre o cora\u00e7\u00e3o da menina e sentiu como ele estava batendo sobressaltado, de modo que percebeu que sua ordem tinha sido desobedecida e a porta fora aberta. Ent\u00e3o perguntou mais uma vez: &#8220;Realmente n\u00e3o a abriste?&#8221; &#8220;N\u00e3o&#8221;, respondeu a menina pela segunda vez. A\u00ed a Virgem avistou o dedo que ficara dourado pelo toque do fogo celestial e teve certeza de que ela pecara, e perguntou pela terceira vez: &#8220;N\u00e3o a abriste?&#8221; &#8220;N\u00e3o&#8221;, respondeu a menina pela terceira vez. Ent\u00e3o a Virgem Maria disse: &#8220;Tu n\u00e3o me obedeceste e al\u00e9m disso ainda mentiste, portanto n\u00e3o \u00e9s mais digna de permanecer no C\u00e9u.&#8221;<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 85%;\">Nesse momento a menina caiu em profundo sono e quando despertou jazia l\u00e1 embaixo sobre a terra em meio a um lugar agreste. Quis gritar, mas n\u00e3o conseguiu emitir qualquer som. Levantou-se de um salto e quis fugir, mas para onde quer que se dirigisse sempre era detida por sebes espinhosas que n\u00e3o conseguia atravessar. Nesse ermo em que estava encerrada havia uma velha \u00e1rvore oca que agora teria de ser sua morada. Era l\u00e1 para dentro que rastejava quando ca\u00eda a noite, e era l\u00e1 que dormia, e, quando vinham chuvas e tempestades, era l\u00e1 que buscava abrigo. Levava uma vida lastim\u00e1vel, e quando recordava como tudo havia sido t\u00e3o bom no C\u00e9u, e como os anjinhos costumavam brincar com ela, chorava amargamente. Ra\u00edzes e frutas silvestres eram seus \u00fanicos alimentos, e ela os procurava ao redor at\u00e9 onde podia ir. No outono juntava as nozes e folhas que haviam ca\u00eddo no ch\u00e3o e levava-as para o oco da \u00e1rvore; comia as nozes no inverno e, quando chegavam a neve e o gelo, arrastava-se como um animalzinho para debaixo das folhas para n\u00e3o sentir frio. N\u00e3o demorou muito e suas vestimentas come\u00e7aram a se rasgar e um peda\u00e7o ap\u00f3s outro foi caindo do corpo. T\u00e3o logo o Sol voltava a brilhar trazendo o calor, ela sa\u00eda e sentava-se diante da \u00e1rvore e seus longos cabelos encobriam-na de todos os lados como um manto. Assim foi passando ano ap\u00f3s ano e ela ia experimentando a mis\u00e9ria e sofrimento do mundo.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 85%;\">Uma vez, quando as \u00e1rvores tinham acabado de cobrir-se outra vez de verde, o rei que l\u00e1 reinava estava ca\u00e7ando na floresta e perseguia uma cor\u00e7a, e como esta havia se refugiado nos arbustos que rodeavam a clareira da floresta, ele desceu do cavalo e com sua espada foi arrancando o mato e abrindo caminho para poder passar. Quando finalmente chegou do outro lado, avistou sob a \u00e1rvore uma donzela de maravilhosa beleza que l\u00e1 estava sentada totalmente coberta at\u00e9 os dedos dos p\u00e9s pelos seus cabelos dourados. Ficou parado admirando-a com assombro at\u00e9 que finalmente dirigiu-lhe a palavra e disse: &#8220;Quem \u00e9s tu? Por que est\u00e1s aqui no ermo?&#8221; Mas ela n\u00e3o respondeu, pois sua boca estava selada. O rei falou novamente: &#8220;Queres vir comigo at\u00e9 meu castelo?&#8221; Ela apenas assentiu levemente com a cabe\u00e7a. Ent\u00e3o o rei a tomou nos bra\u00e7os, carregou-a at\u00e9 seu corcel e cavalgou com ela para casa, e, quando chegou ao castelo real, ordenou que a vestissem com belos trajes e tudo lhe foi dado em abund\u00e2ncia. Embora n\u00e3o pudesse falar, ela era af\u00e1vel e bela, e assim ele come\u00e7ou a am\u00e1-la do fundo de seu cora\u00e7\u00e3o e, n\u00e3o demorou muito, casou-se com ela.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 85%;\">Quando se havia passado cerca de um ano, a rainha deu \u00e0 luz um filho. Nessa mesma noite, quando estava deitada sozinha em seu leito, apareceu-lhe a Virgem Maria, que disse &#8220;Se quiseres dizer a verdade e confessar que abriste a porta proibida, destravarei tua boca e devolverei tua fala, mas se insistires no pecado e teimares em negar, levarei comigo teu filho rec\u00e9m-nascido.&#8221; Nesse momento foi dado \u00e0 rainha responder, por\u00e9m ela manteve-se obstinada e disse: &#8220;N\u00e3o, n\u00e3o abri a porta proibida&#8221;, e a Virgem Maria tomou-lhe o filho rec\u00e9m-nascido dos bra\u00e7os e desapareceu com ele. Na manh\u00e3 seguinte, quando n\u00e3o foi poss\u00edvel encontrar a crian\u00e7a, come\u00e7ou a correr um murm\u00fario no meio do povo de que a rainha comia carne humana e teria matado seu pr\u00f3prio filho. Ela ouvia tudo isso e n\u00e3o podia dizer nada em contr\u00e1rio, mas o rei recusou-se a acreditar naquilo porque a amava muito.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 85%;\">Depois de um ano nasceu mais um filho da rainha. Naquela noite voltou a parecer a Virgem Maria junto dela dizendo: &#8220;Se quiseres confessar que abriste a porta proibida, devolverei teu filho e soltarei tua l\u00edngua; mas se insistires no pecado e negares, levarei tamb\u00e9m este rec\u00e9m-nascido comigo.&#8221; Ent\u00e3o a rainha disse novamente: &#8220;N\u00e3o, n\u00e3o abri a porta proibida&#8221;, e a Virgem tomou-lhe a crian\u00e7a dos bra\u00e7os e levou-a consigo para o C\u00e9u. De manh\u00e3, quando mais uma vez uma crian\u00e7a havia desaparecido, o povo afirmou em voz bem alta que a rainha a tinha devorado, e os conselheiros do rei exigiram que ela fosse levada a julgamento. Mas o rei a amava tanto que n\u00e3o quis acreditar em nada, e ordenou aos conselheiros que, se n\u00e3o estivessem dispostos a sofrer castigos corporais ou mesmo a pena de morte, que deixassem de insistir no assunto.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 85%;\">No ano seguinte a rainha deu \u00e0 luz uma linda filhinha e, pela terceira vez, apareceu \u00e0 noite a Virgem Maria e disse: &#8220;Acompanha-me&#8221;. Tomou-a pela m\u00e3o e conduziu-a at\u00e9 o C\u00e9u, mostrando-lhe ent\u00e3o os dois meninos mais velhos, que riam e brincavam com o globo terrestre. A rainha alegrou-se com aquilo e a Virgem Maria disse: &#8220;Teu cora\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o se abrandou? Se confessares que abriste a porta proibida, devolverei teus dois filhinhos.&#8221; Mas a rainha respondeu pela terceira vez &#8220;N\u00e3o, n\u00e3o abri a porta proibida&#8221;. Ent\u00e3o a Virgem Maria a fez descer novamente \u00e0 terra, tomando-lhe tamb\u00e9m a terceira crian\u00e7a.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 85%;\">Na manh\u00e3 seguinte, quando a not\u00edcia correu, todo o povo gritava &#8220;a rainha come gente, ela tem que ser condenada&#8221;, e o rei n\u00e3o conseguiu mais conter seus conselheiros. Ela foi submetida a julgamento e, como n\u00e3o podia responder e se defender, foi condenada a morrer na fogueira. Quando haviam juntado a lenha e ela estava amarrada a um pilar e o fogo come\u00e7ava a arder a sua volta, ent\u00e3o derreteu-se o duro gelo do orgulho e seu cora\u00e7\u00e3o encheu-se de arrependimento e ela pensou: &#8220;Ah, se antes de morrer eu ao menos pudesse confessar que abri a porta&#8221;. Nesse momento voltou-lhe a voz e ela gritou com for\u00e7a &#8220;Sim, Maria, eu a abri!&#8221; No mesmo instante uma chuva come\u00e7ou a cair do c\u00e9u apagando as chamas do fogo, e sobre sua cabe\u00e7a irradiou uma luz, e a Virgem Maria desceu tendo os dois meninos, um de cada lado, e carregando a menina rec\u00e9m-nascida no colo. Ela falou-lhe com bondade: &#8220;Quem confessa e se arrepende de seu pecado, sempre \u00e9 perdoado&#8221;, e entregou-lhe as tr\u00eas crian\u00e7as, soltou-lhe a l\u00edngua e deu-lhe de presente a felicidade para a vida inteira.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 85%;\"><span style=\"font-weight: bold;\">Agradecemos a<\/span><\/span> <span style=\"font-weight: bold;\">Karin Volobuef pela tradu\u00e7\u00e3o desse conto.<\/span><span style=\"font-size: 85%;\"><span style=\"font-weight: bold;\"><\/span><br \/>\n<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na orla de uma extensa floresta morava um lenhador e sua esposa. 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