{"id":247,"date":"2009-10-27T07:05:00","date_gmt":"2009-10-27T09:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/as-fadas-charles-perrault\/"},"modified":"2025-07-28T21:24:23","modified_gmt":"2025-07-29T00:24:23","slug":"as-fadas-charles-perrault","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/as-fadas-charles-perrault\/","title":{"rendered":"As Fadas (Charles Perrault)"},"content":{"rendered":"<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEh_XNwx-6LgM2g0fu5t3-Y8CQgyPQxlaIFtZ17MxgJAxMdVcCvQuenkdmbQd0iSiidwe1c1lTvIZpYMw-cSBU0YA_PiQrcd3hXM5Um7e_qevXkU2BMJGpB-tC0PRRW6U-0H1Gob4trITuw\/s1600-h\/asfadas.jpg\" style=\"clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEh_XNwx-6LgM2g0fu5t3-Y8CQgyPQxlaIFtZ17MxgJAxMdVcCvQuenkdmbQd0iSiidwe1c1lTvIZpYMw-cSBU0YA_PiQrcd3hXM5Um7e_qevXkU2BMJGpB-tC0PRRW6U-0H1Gob4trITuw\/s200\/asfadas.jpg\" vr=\"true\" \/><\/a>\n<\/div>\n<p>\nEra uma vez uma vi\u00fava que tinha duas filhas. A mais velha era tal e qual a m\u00e3e, tanto na apar\u00eancia como no mau feito. Eram ambas t\u00e3o mal-humoradas e orgulhosas que ningu\u00e9m podia viver com elas. A mais nova, pelo contr\u00e1rio, era gentil, boa e muito linda. Era tal e qual o pai. Como cada um prefere o seu igual, a m\u00e3e gostava muito da mais velha e detestava a mais nova, obrigando-a a tomar as refei\u00e7\u00f5es na cozinha e a trabalhar o dia todo. <br \/>\nEntre outras tarefas, a pobre menina tinha que ir duas vezes por dia buscar \u00e1gua a uma fonte que ficava a meia milha de dist\u00e2ncia. De regresso, vinha carregada com a bilha cheia de \u00e1gua. Certo dia, quando estava na fonte, acercou-se dela uma pobre mulher que lhe implorou um pouco de \u00e1gua.<br \/>\n&#8211; Sim, avozinha \u2013 respondeu a menina delicadamente.<br \/>\nLavou cuidadosamente a bilha, encheu-a no s\u00edtio onde a \u00e1gua era mais l\u00edmpida e ofereceu de beber \u00e0 velhinha, segurando na bilha para que ela pudesse beber com calma.<br \/>\nDepois de saciar a sede, a boa senhora disse-lhe:<br \/>\n<a name='more'><\/a><br \/>\n&#8211; \u00c9s t\u00e3o bela, t\u00e3o boa e t\u00e3o gentil que n\u00e3o resisto a conceder-te um dom.<br \/>\nA velhinha era, afinal, uma fada que tinha tomado a forma de uma pobre mulher para ver at\u00e9 que ponto a menina era gentil e bondosa.<br \/>\n&#8211; Concedo-te o dom \u2013 continuou a fada \u2013 de lan\u00e7ares pela boca uma flor ou uma pedra preciosa sempre que proferires uma palavra.<br \/>\nQuando a menina chegou a casa, a m\u00e3e ralhou-lhe muito porque se atrasara.<br \/>\n&#8211; Pe\u00e7o perd\u00e3o por ter chegado t\u00e3o tarde, m\u00e3e \u2013 disse a menina, ao mesmo tempo que lhe sa\u00edam da boca duas rosas, duas p\u00e9rolas e dois diamantes enormes.<br \/>\n&#8211; O que se passa? \u2013 exclamou a m\u00e3e muito admirada. \u2013 Parece que te est\u00e3o a sair da boca p\u00e9rolas e diamantes. Como \u00e9 poss\u00edvel, minha filha? (Foi a primeira vez que lhe chamou filha).<br \/>\nA pobre menina contou-lhe o que acontecera, enquanto lhe sa\u00edam da boca uma infinidade de diamantes.<br \/>\n&#8211; Tenho que l\u00e1 mandar a minha filha. Olha, Joaquina, v\u00ea o que sai da boca da tua irm\u00e3 quando fala. Gostarias de ter o mesmo dom? S\u00f3 tens que ir buscar \u00e1gua \u00e0 fonte e dar de beber a uma velhinha quando ela te pedir.<br \/>\n&#8211; Havia de ter gra\u00e7a, ir agora \u00e0 fonte\u2026 \u2013 respondeu a malcriada.<br \/>\n&#8211; Faz imediatamente o que te mando \u2013 repreendeu-a a m\u00e3e.<br \/>\nEla assim fez, mas de muito mau modo. Pegou na jarra de prata mais bonita que havia em casa e partiu. Assim que chegou \u00e0 fonte viu aproximar-se uma senhora que sa\u00edra do bosque. Vinha magnificamente vestida e pediu-lhe de beber. Era a mesma fada que aparecera \u00e0 sua irm\u00e3, mas que agora tinha o aspecto de uma princesa. Pretendia averiguar at\u00e9 que ponto chegava a rudeza daquela rapariga.<br \/>\n&#8211; Ent\u00e3o julgas que vim aqui para te dar de beber? \u2013 perguntou a malcriada. \u2013 Trouxe um jarro de prata de prop\u00f3sito para dar de beber a sua excel\u00eancia! Ora sirva-se sozinha, se tem sede!<br \/>\n&#8211; N\u00e3o \u00e9s nada gentil \u2013 repreendeu-a a fada, sem se zangar. \u2013 Muito bem! J\u00e1 que \u00e9s t\u00e3o pouco af\u00e1vel dou-te o dom de te sa\u00edrem sapos ou serpentes pela boca, sempre que falares.<br \/>\nAssim que a m\u00e3e a viu chegar a casa gritou-lhe:<br \/>\n&#8211; Ent\u00e3o, minha filha?<br \/>\n&#8211; Ent\u00e3o, minha m\u00e3e? \u2013 respondeu-lhe a malcriada, cuspindo duas v\u00edboras e dois lagartos.<br \/>\n&#8211; C\u00e9us! Que vejo eu? \u2013 gritou a m\u00e3e, horrorizada. \u2013 A culpa \u00e9 da tua irm\u00e3, mas ela paga-mas.<br \/>\nComo a m\u00e3e lhe queria bater, a menina fugiu para a floresta. O filho do rei, que voltava da ca\u00e7a, encontrou-a e ficou deslumbrado com a sua beleza. Perguntou-lhe o que fazia ali sozinha e porque estava a chorar.<br \/>\n&#8211; Ai de mim, senhor! Foi a minha m\u00e3e que me expulsou de casa\u2026<br \/>\nO filho do rei, que viu sa\u00edrem-lhe da boca cinco ou seis p\u00e9rolas e outros tantos diamantes, pediu-lhe que lhe dissesse de onde vinham aquelas riquezas. A menina contou-lhe a sua aventura. O pr\u00edncipe, que entretanto se apaixonara por ela, achou que um dom assim valia muito mais do que qualquer dote. Ent\u00e3o, levou-a consigo para o pal\u00e1cio do rei seu pai e casou com ela.<br \/>\nQuanto \u00e0 irm\u00e3, tornou-se t\u00e3o horrorosa que at\u00e9 a m\u00e3e a expulsou de casa. Como ningu\u00e9m queria estar com ela, acabou por se esconder num canto do bosque onde morreu sozinha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era uma vez uma vi\u00fava que tinha duas filhas. A mais velha era tal e qual a m\u00e3e, tanto na apar\u00eancia como no mau feito. Eram ambas t\u00e3o mal-humoradas e orgulhosas que ningu\u00e9m podia viver com elas. A mais nova, pelo contr\u00e1rio, era gentil, boa e muito linda. Era tal e qual o pai. Como cada um prefere o seu igual, a m\u00e3e gostava muito da mais velha e detestava a mais nova, obrigando-a a tomar as refei\u00e7\u00f5es na cozinha e a trabalhar o dia todo. Entre outras tarefas, a pobre menina tinha que ir duas vezes por dia buscar \u00e1gua a uma fonte que ficava a meia milha de dist\u00e2ncia. De regresso, vinha carregada com a bilha cheia de \u00e1gua. Certo dia, quando estava na fonte, acercou-se dela uma pobre mulher que lhe implorou um pouco de \u00e1gua. &#8211; Sim, avozinha \u2013 respondeu a menina delicadamente. Lavou cuidadosamente a bilha, encheu-a no s\u00edtio onde a \u00e1gua era mais l\u00edmpida e ofereceu de beber \u00e0 velhinha, segurando na bilha para que ela pudesse beber com calma. Depois de saciar a sede, a boa senhora disse-lhe: &#8211; \u00c9s t\u00e3o bela, t\u00e3o boa e t\u00e3o gentil que n\u00e3o resisto a conceder-te um dom. 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