{"id":245,"date":"2009-10-27T07:14:00","date_gmt":"2009-10-27T09:14:00","guid":{"rendered":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/a-menina-dos-fosforos-andersen\/"},"modified":"2025-07-28T21:23:39","modified_gmt":"2025-07-29T00:23:39","slug":"a-menina-dos-fosforos-andersen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/a-menina-dos-fosforos-andersen\/","title":{"rendered":"A menina dos f\u00f3sforos (Andersen)"},"content":{"rendered":"<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEg2JgpfZl5hGF0wxJWHpOKmXMAZl6muppDqeEEBrOFhBMdg4Fx0JmPCbVTzpllBi7dgMsns4LGcFkZdUyo_SJk44EbGMIqxv6fb5rbbn7PmpoApg9p9wfXf54ksOdhDhVR6snpvdISP0Ls\/s1600-h\/natal_menina_fosf2.jpg\" style=\"clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEg2JgpfZl5hGF0wxJWHpOKmXMAZl6muppDqeEEBrOFhBMdg4Fx0JmPCbVTzpllBi7dgMsns4LGcFkZdUyo_SJk44EbGMIqxv6fb5rbbn7PmpoApg9p9wfXf54ksOdhDhVR6snpvdISP0Ls\/s200\/natal_menina_fosf2.jpg\" vr=\"true\" \/><\/a>\n<\/div>\n<p>\nEstava tanto frio! A neve n\u00e3o parava de cair e a noite aproximava-se. Aquela era a \u00faltima noite de Dezembro, v\u00e9spera do dia de Ano Novo. Perdida no meio do frio intenso e da escurid\u00e3o, uma pobre rapariguinha seguia pela rua fora, com a cabe\u00e7a descoberta e os p\u00e9s descal\u00e7os. \u00c9 certo que ao sair de casa trazia um par de chinelos, mas n\u00e3o duraram muito tempo, porque eram uns chinelos que j\u00e1 tinham pertencido \u00e0 m\u00e3e, e ficavam-lhe t\u00e3o grandes, que a menina os perdeu quando teve de atravessar a rua a correr para fugir de um trem. Um dos chinelos desapareceu no meio da neve, e o outro foi apanhado por um garoto que o levou, pensando fazer dele um ber\u00e7o para a irm\u00e3 mais nova brincar. <br \/>\nPor isso, a rapariguinha seguia com os p\u00e9s descal\u00e7os e j\u00e1 roxos de frio; levava no avental uma quantidade de f\u00f3sforos, e estendia um ma\u00e7o deles a toda a gente que passava, apregoando:<br \/>\n<a name='more'><\/a>&nbsp;\u2014 Quem compra f\u00f3sforos bons e baratos? \u2014 Mas o dia tinha-lhe corrido mal. Ningu\u00e9m comprara os f\u00f3sforos, e, portanto, ela ainda n\u00e3o conseguira ganhar um tost\u00e3o. Sentia fome e frio, e estava com a cara p\u00e1lida e as faces encovadas. Pobre rapariguinha! Os flocos de neve ca\u00edam-lhe sobre os cabelos compridos e loiros, que se encaracolavam graciosamente em volta do pesco\u00e7o magrinho; mas ela nem pensava nos seus cabelos encaracolados. Atrav\u00e9s das janelas, as luzes vivas e o cheiro da carne assada chegavam \u00e0 rua, porque era v\u00e9spera de Ano Novo. Nisso, sim, \u00e9 que ela pensava.<br \/>\nSentou-se no ch\u00e3o e encolheu-se no canto de um portal. Sentia cada vez mais frio, mas n\u00e3o tinha coragem de voltar para casa, porque n\u00e3o vendera um \u00fanico ma\u00e7o de f\u00f3sforos, e n\u00e3o podia apresentar nem uma moeda, e o pai era capaz de lhe bater. E afinal, em casa tamb\u00e9m n\u00e3o havia calor. A fam\u00edlia morava numa \u00e1gua-furtada, e o vento metia-se pelos buracos das telhas, apesar de terem tapado com farrapos e palha as fendas maiores. Tinha as m\u00e3os quase paralisadas com o frio. Ah, como o calorzinho de um f\u00f3sforo aceso lhe faria bem! Se ela tirasse um, um s\u00f3, do ma\u00e7o, e o acendesse na parede para aquecer os dedos! Pegou num f\u00f3sforo e: Fcht!, a chama espirrou e o f\u00f3sforo come\u00e7ou a arder! Parecia a chama quente e viva de uma candeia, quando a menina a tapou com a m\u00e3o. Mas, que luz era aquela? A menina julgou que estava sentada em frente de um fog\u00e3o de sala cheio de ferros rendilhados, com um guarda-fogo de cobre reluzente. O lume ardia com uma chama t\u00e3o intensa, e dava um calor t\u00e3o bom! Mas, o que se passava? A menina estendia j\u00e1 os p\u00e9s para se aquecer, quando a chama se apagou e o fog\u00e3o desapareceu. E viu que estava sentada sobre a neve, com a ponta do f\u00f3sforo queimado na m\u00e3o.<br \/>\nRiscou outro f\u00f3sforo, que se acendeu e brilhou, e o lugar em que a luz batia na parede tornou-se transparente como tule. E a rapariguinha viu o interior de uma sala de jantar onde a mesa estava coberta por uma toalha branca, resplandecente de loi\u00e7as finas, e mesmo no meio da mesa havia um ganso assado, com recheio de ameixas e pur\u00e9 de batata, que fumegava, espalhando um cheiro apetitoso. Mas, que surpresa e que alegria! De repente, o ganso saltou da travessa e rolou para o ch\u00e3o, com o garfo e a faca espetados nas costas, at\u00e9 junto da rapariguinha. O f\u00f3sforo apagou-se, e a pobre menina s\u00f3 viu na sua frente a parede negra e fria.<br \/>\nE acendeu um terceiro f\u00f3sforo. Imediatamente se encontrou ajoelhada debaixo de uma enorme \u00e1rvore de Natal. Era ainda maior e mais rica do que outra que tinha visto no \u00faltimo Natal, atrav\u00e9s da porta envidra\u00e7ada, em casa de um rico comerciante. Milhares de velinhas ardiam nos ramos verdes, e figuras de todas as cores, como as que enfeitam as montras das lojas, pareciam sorrir para ela. A menina levantou ambas as m\u00e3os para a \u00e1rvore, mas o f\u00f3sforo apagou-se, e todas as velas de Natal come\u00e7aram a subir, a subir, e ela percebeu ent\u00e3o que eram apenas as estrelas a brilhar no c\u00e9u. Uma estrela maior do que as outras desceu em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 terra, deixando atr\u00e1s de si um comprido rasto de luz.<br \/>\nFoi algu\u00e9m que morreu\u00bb, pensou para consigo a menina; porque a av\u00f3, a \u00fanica pessoa que tinha sido boa para ela, mas que j\u00e1 n\u00e3o era viva, dizia-lhe muita vez: \u00abQuando vires uma estrela cadente, \u00e9 uma alma que vai a caminho do c\u00e9u.\u00bb<br \/>\nEsfregou ainda mais outro f\u00f3sforo na parede: fez-se uma grande luz, e no meio apareceu a av\u00f3, de p\u00e9, com uma express\u00e3o muito suave, cheia de felicidade!<br \/>\n\u2014 Av\u00f3! \u2014 gritou a menina \u2014 leva-me contigo! Quando este f\u00f3sforo se apagar, eu sei que j\u00e1 n\u00e3o estar\u00e1s aqui. Vais desaparecer como o fog\u00e3o de sala, como o ganso assado, e como a \u00e1rvore de Natal, t\u00e3o linda.<br \/>\nRiscou imediatamente o punhado de f\u00f3sforos que restava daquele ma\u00e7o, porque queria que a av\u00f3 continuasse junto dela, e os f\u00f3sforos espalharam em redor uma luz t\u00e3o brilhante como se fosse dia. Nunca a av\u00f3 lhe parecera t\u00e3o alta nem t\u00e3o bonita. Tomou a neta nos bra\u00e7os e, soltando os p\u00e9s da terra, no meio daquele resplendor, voaram ambas t\u00e3o alto, t\u00e3o alto, que j\u00e1 n\u00e3o podiam sentir frio, nem fome, nem desgostos, porque tinham chegado ao reino de Deus.<br \/>\nMas ali, naquele canto, junto do portal, quando rompeu a manh\u00e3 gelada, estava ca\u00edda uma rapariguinha, com as faces roxas, um sorriso nos l\u00e1bios\u2026 mor ta de frio, na \u00faltima noite do ano. O dia de Ano Novo nasceu, indiferente ao pequenino cad\u00e1ver, que ainda tinha no rega\u00e7o um punhado de f\u00f3sforos. \u2014 Coitadinha, parece que tentou aquecer-se! \u2014 exclamou algu\u00e9m. Mas nunca ningu\u00e9m soube quantas coisas lindas a menina viu \u00e0 luz dos f\u00f3sforos, nem o brilho com que entrou, na companhia da av\u00f3, no Ano Novo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estava tanto frio! A neve n\u00e3o parava de cair e a noite aproximava-se. Aquela era a \u00faltima noite de Dezembro, v\u00e9spera do dia de Ano Novo. 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