{"id":243,"date":"2009-10-28T06:26:00","date_gmt":"2009-10-28T08:26:00","guid":{"rendered":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/a-roupa-nova-do-imperador-andersen\/"},"modified":"2025-07-28T21:22:20","modified_gmt":"2025-07-29T00:22:20","slug":"a-roupa-nova-do-imperador-andersen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/a-roupa-nova-do-imperador-andersen\/","title":{"rendered":"A roupa nova do imperador (Andersen)"},"content":{"rendered":"<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEhSzxwLvwPHPUNXfWB2RQD-u8NVxJn-Z_16FSz8Lk5eyf51YWbTuNjE4u-XcvQrIfIHOZvCrhPRn5LvVEOT0BgkVIiCAALmLbU-qyn9rdHekVyo196afVNo0wWIXsSoukanFHpxbsVlU2w\/s1600-h\/140950.jpg\" style=\"clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEhSzxwLvwPHPUNXfWB2RQD-u8NVxJn-Z_16FSz8Lk5eyf51YWbTuNjE4u-XcvQrIfIHOZvCrhPRn5LvVEOT0BgkVIiCAALmLbU-qyn9rdHekVyo196afVNo0wWIXsSoukanFHpxbsVlU2w\/s320\/140950.jpg\" vr=\"true\" \/><\/a>\n<\/div>\n<p>H\u00e1 muitos e muitos anos havia um Imperador t\u00e3o apaixonado pelas roupas novas, que gastava com elas todo o dinheiro que possu\u00eda. Pouco se incomodava com seus soldados, com o teatro ou com os passeios pelos bosques, contanto que pudesse vestir seus trajes.<br \/>\nTinha um para cada hora do dia, e, ao inv\u00e9s de se dizer dele o que se diz de qualquer imperador: \u201cEst\u00e1 na C\u00e2mara do Conselho\u201d, dizia-se sempre a mesma coisa: \u201cO Imperador est\u00e1 se vestindo\u201d.<br \/>\nNa capital em que ele vivia, a vida era muito alegre; todos os dias chegavam multid\u00f5es de forasteiros para visit\u00e1-la, e, entre eles, certa ocasi\u00e3o chegaram dois vigaristas. Fingiram-se de tecel\u00f5es, dizendo-se capazes de tecer os tecidos mais maravilhosos do mundo.<br \/>\nE n\u00e3o somente as cores e os desenhos eram magn\u00edficos como tamb\u00e9m os trajes que se faziam com aqueles tecidos possu\u00edam a qualidade especial de serem invis\u00edveis para qualquer pessoa que n\u00e3o tivesse as qualidades necess\u00e1rias para desempenhar suas fun\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m que fossem muito tolas e presun\u00e7osas.<br \/>\n\u2013 Devem ser trajes magn\u00edficos \u2013 pensou o Imperador.<br \/>\n<a name='more'><\/a>&nbsp;\u2013E se eu vestisse um deles, poderia descobrir todos aqueles que em meu reino carecessem das qualidades necess\u00e1rias para desempenhar seus cargos. E tamb\u00e9m poderei distinguir os tolos dos inteligentes. Sim, estou decidido a mandar tecer uma roupa para mim, a qual me servir\u00e1 para tais descobertas.<br \/>\nEntregou a um dos tecel\u00f5es uma grande quantia como adiantamento, a fim de que o dois pudessem come\u00e7ar imediatamente com o esperado trabalho.<br \/>\nOs dois vigaristas prepararam os teares e fingiram entregar-se ao trabalho de tecer mas o certo \u00e9 que no mesmo n\u00e3o havia nenhum fio nas lan\u00e7adeiras. Antes de come\u00e7ar pediram uma certa quantidade da seda mais fina e fio de ouro da maior pureza e guardaram tudo em seus alforjes e depois come\u00e7aram a trabalhar, isto \u00e9, fingindo faz\u00ea-lo, com os teares vazios.<br \/>\n\u2013 Gostaria de saber como vai o trabalho dos tecel\u00f5es \u2013pensou um dia o vaidoso Imperador.<br \/>\nTodavia, ficou um tanto aflito ao pensar que algu\u00e9m que fosse tolo ou n\u00e3o estivesse capacitado para exercer sua fun\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poderia ver o tecido. N\u00e3o temia por si mesmo, mas achou mais prudente enviar uma outra pessoa, para que lhe desse conta daquilo.<br \/>\nTodos os habitantes da cidade conheciam as maravilhosas qualidades do tecido em quest\u00e3o, e todos, tamb\u00e9m, desejavam saber, por esse meio, se seu vizinho ou amigo era um tolo.<br \/>\n\u2013 Mandarei meu fiel primeiro ministro visitar os tecel\u00f5es \u2013 pensou o Imperador. Ser\u00e1 o mais capacitado para ver o tecido, porque \u00e9 um homem muito h\u00e1bil e ningu\u00e9m cumpre seus deveres melhor do que ele.<br \/>\nE assim o bom e velho primeiro ministro se dirigiu para o aposento em que os vigaristas trabalhavam nos teares completamente vazios.<br \/>\n\u2013 Deus me proteja! \u2013 pensou o anci\u00e3o, abrindo os bra\u00e7os e os olhos. \u2013 Mas se eu n\u00e3o vejo nada!<br \/>\nNo entanto, evitou diz\u00ea-lo.<br \/>\nOs dois vigaristas pediram-lhe que fizesse o favor de aproximar-se um pouco mais e rogaram-lhe que desse a sua opini\u00e3o a respeito do desenho e do colorido do tecido. Mostraram o tear vazio e o pobre ministro, por mais que se esfor\u00e7asse para ver, n\u00e3o conseguia enxergar coisa alguma, porque n\u00e3o havia nada para ver.<br \/>\n\u2013 Deus meu! \u2013 pensava. \u2013 Ser\u00e1, poss\u00edvel que eu seja t\u00e3o tolo assim? Nunca me pareceu e \u00e9 preciso que ningu\u00e9m o saiba. Talvez eu n\u00e3o esteja capacitado a desempenhar a fun\u00e7\u00e3o que ocupo. O melhor ser\u00e1 fingir que estou vendo o tecido.<br \/>\n\u2013 N\u00e3o quer dar a sua opini\u00e3o, senhor ? \u2013 perguntou um dos falsos tecel\u00f5es.<br \/>\n\u2013 \u00c9 muito lindo! Faz um efeito encantador \u2013 exclamou o velho ministro, fitando atrav\u00e9s de seus \u00f3culos. \u2013 O que mais me agrada s\u00e3o o desenho e as maravilhosas cores que o comp\u00f5em. Asseguro-lhes que daremos conta ao Imperador do quanto gosto de seu trabalho, muito bem aplicado e lind\u00edssimo.<br \/>\n\u2013 Ficamos muito honrados em ouvir tais palavras de vossos l\u00e1bios, senhor ministro replicaram os tecel\u00f5es.<br \/>\nCome\u00e7aram ent\u00e3o a dar-lhe detalhes do complicado desenho e das cores que o formavam. O ministro ouviu-os com a maior aten\u00e7\u00e3o, com a ideia de poder repetir suas palavras quando estivesse na presen\u00e7a do Imperador.<\/p>\n<p>A seguir os dois vigaristas pediram mais dinheiro, mais seda e mais fio de ouro, para que pudessem prosseguir com o trabalho. Por\u00e9m, assim que receberam o solicitado, guardaram-no como antes. Nem um s\u00f3 fio foi colocado no tear, embora eles fingissem continuar trabalhando apressadamente.<br \/>\nO Imperador enviou outro fiel cortes\u00e3o para dar-se conta dos progressos do trabalho dos falsos tecel\u00f5es e a fim de saber se eles demorariam muito para entregar o tecido. A este segundo enviado aconteceu a mesma coisa que o primeiro ministro, isto \u00e9, mirou e remirou o tear vazio, sem ver tecido algum.<br \/>\n\u2013 N\u00e3o acha que \u00e9 uma fazenda maravilhosa? \u2013 perguntaram os vigaristas mostrando e explicando um desenho imagin\u00e1rio e um colorido n\u00e3o menos fant\u00e1stico, que ningu\u00e9m conseguia ver.<br \/>\n\u2013 Sei que n\u00e3o sou tolo \u2013 pensava o cortes\u00e3o; \u2013 mas se n\u00e3o vejo o tecido, \u00e9 porque n\u00e3o devo ser capaz de exercer minha fun\u00e7\u00e3o \u00e0 altura da mesma. Isso me parece estranho. Mas \u00e9 melhor n\u00e3o dar a perceber esse fato.<br \/>\nPor esse motivo falou no tecido que n\u00e3o via e manifestou seu entusiasmo pelo colorido maravilhoso e pelos originais desenhos.<br \/>\n\u2013 Ali est\u00e1 algo realmente encantador, \u2013 disse mais tarde ao Imperador, quando prestou contas de sua visita.<br \/>\nPor sua vez, o Imperador achou que devia ir ver o famoso tecido, enquanto ainda estivesse no tear. E assim, acompanhado por um escolhido grupo de cortes\u00e3os, entre os quais se encontravam o primeiro-ministro e o outro palaciano, que haviam fingido ver o tecido, foi fazer uma visita aos falsos tecel\u00f5es, que com o maior cuidado trabalhavam no tear vazio, em meio \u00e0 maior seriedade.<br \/>\n\u2013 \u00c9 magn\u00edfico! \u2013 exclamaram o primeiro-ministro e o palaciano. \u2013 Digne-se Vossa Majestade a olhar para o desenho. Que cores maravilhosas!<br \/>\nE apontavam para o tear vazio, pois n\u00e3o tinham d\u00favidas de que as outras pessoas viam o tecido.<br \/>\n\u2013 Mas o que \u00e9 isto? \u2013 pensou o Imperador. \u2013 N\u00e3o estou vendo nada! Isso \u00e9 terr\u00edvel! Serei um tolo? N\u00e3o terei capacidade para ser Imperador? Certamente n\u00e3o poderia acontecer-me nada pior.<br \/>\n\u2013 \u00c9 realmente uma beleza! \u2013 exclamou logo depois. \u2013 O tecido merece a minha melhor aprova\u00e7\u00e3o.<br \/>\nManifestou a sua aprova\u00e7\u00e3o por meio de alguns gestos, enquanto olhava para o tear vazio, pois ningu\u00e9m poderia induzi-lo a dizer que n\u00e3o via coisa alguma.<br \/>\nTodos os outros cortes\u00e3os olhavam por sua vez. Mas n\u00e3o viam nada. Por\u00e9m, como nenhum queria dar parte de tolo ou de incapaz, fizeram coro com as palavras de Sua Majestade.<br \/>\n\u2013 \u00c9 uma beleza! \u2013 exclamaram em coro.<br \/>\nE aconselharam o Imperador que mandasse fazer uma roupa com aquele tecido maravilhoso, a fim de estre\u00e1-la numa grande prociss\u00e3o que devia realizar-se da\u00ed a alguns dias.<br \/>\nOs elogios corriam de boca em boca e todos estavam entusiasmados. E o Imperador condecorou os dois vigaristas com a ordem dos cavaleiros, cuja ins\u00edgnia poderiam usar e concedeu-lhes o t\u00edtulo de .Cavaleiros Tecel\u00f5es..<br \/>\nOs dois vigaristas ficaram a noite toda trabalhando, \u00e0 luz de dezasseis velas, na noite anterior ao dia da prociss\u00e3o; desejavam que todos testemunhassem o grande interesse que eles demonstravam em terminar a roupa do soberano.<br \/>\nFingiram tirar a fazenda do tear, cortaram-na com tesouras enormes e costuraram-na com agulhas sem linha de esp\u00e9cie alguma. Finalmente disseram:<br \/>\n\u2013 J\u00e1 est\u00e1 pronto o traje de Sua Majestade.<br \/>\nO Imperador, acompanhado por seus mais nobres cortes\u00e3os, foi novamente visitar os vigaristas, e um deles, levantando um bra\u00e7o, como se segurasse uma pe\u00e7a de roupa, disse:<br \/>\n\u2013 Aqui est\u00e3o as cal\u00e7as. Este \u00e9 o colete. Veja Vossa Majestade o casaco. Finalmente, dignai-vos a examinar o manto. Estas pe\u00e7as pesam tanto quanto uma teia de aranha. Quem as usar mal sentir\u00e1 o seu peso. E esta \u00e9 uma de suas maiores qualidades..<br \/>\nTodos os cortes\u00e3os concordaram, mesmo n\u00e3o vendo coisa alguma, pois na realidade n\u00e3o havia nada para ver, j\u00e1 que nada havia.<br \/>\n\u2013 Dignai-vos tirar o traje que leva \u2013 disse um dos falsos tecel\u00f5es \u2013 e assim poder\u00e1 experimentar a roupa nova na frente do espelho.<br \/>\nE o Imperador tirou a roupa que vestia e os impostores fingiram entregar-lhe sucessivamente e ajud\u00e1-lo a vestir cada uma das pe\u00e7as que comp\u00f5em um traje.<br \/>\nFingiram colocar algo ao redor de sua cintura e o Imperador, nesse meio tempo, virava-se uma vez ou outra para o espelho, a fim de contemplar-se.<br \/>\n\u2013 Que bem assenta este traje em Sua Majestade. Como est\u00e1 elegante. Que desenho e que colorido! \u00c9 uma roupa magn\u00edfica!<br \/>\n\u2013 L\u00e1 fora est\u00e1 o dossel sob o qual ir\u00e1 Vossa Majestade tomar parte na prociss\u00e3o \u2013 disse o mestre de cerimonias.<br \/>\n\u2013 \u00d3timo, j\u00e1 estou pronto \u2013 disse o Imperador. \u2013 Acham que esta roupa me assenta bem?<br \/>\nE novamente mirou-se no espelho, a fim de fingir que se admirava vestido com a roupa nova.<br \/>\nOs camaristas, que deviam carregar o manto, inclinaram-se fingindo recolh\u00ea-lo no ch\u00e3o e logo come\u00e7aram a andar com as m\u00e3os no ar. Tamb\u00e9m n\u00e3o se atreviam a dizer que n\u00e3o viam coisa alguma.<br \/>\nO Imperador foi ocupar seu lugar no cortejo da prociss\u00e3o em baixo do luxuoso dossel e todos os que estavam nas ruas e nas janelas exclamaram:<br \/>\n\u2013 Como est\u00e1 bem vestido o Imperador! Que cauda magn\u00edfica! A roupa assenta nele como uma luva!<br \/>\nNingu\u00e9m queria dar a perceber que n\u00e3o podia ver coisa alguma, para n\u00e3o passar por tolo ou por incapaz. O caso \u00e9 que nunca uma roupa do Imperador alcan\u00e7ara tanto sucesso.<br \/>\n\u2013 Mas eu acho que ele n\u00e3o veste roupa alguma! \u2013 exclamou ent\u00e3o um menino.<br \/>\n\u2013 Ou\u00e7am! Ou\u00e7am o que diz esta crian\u00e7a inocente! \u2013 observou seu pai a quantos o rodeavam.<br \/>\nImediatamente todo mundo se comunicou pelo ouvido as palavras que o menino acabava de pronunciar.<br \/>\n\u2013 N\u00e3o veste roupa alguma. Foi isso o que assegurou este menino.<br \/>\n\u2013 O Imperador esta sem roupa! \u2013 come\u00e7ou a gritar o povo.<br \/>\nO Imperador fez um trejeito, pois sabia que aquelas palavras eram a express\u00e3o da verdade, mas pensou:<br \/>\n\u2013 A prociss\u00e3o tem de continuar.<br \/>\nE assim, continuou mais impass\u00edvel que nunca e os camaristas continuaram segurando a sua cauda invis\u00edvel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muitos e muitos anos havia um Imperador t\u00e3o apaixonado pelas roupas novas, que gastava com elas todo o dinheiro que possu\u00eda. Pouco se incomodava com seus soldados, com o teatro ou com os passeios pelos bosques, contanto que pudesse vestir seus trajes. Tinha um para cada hora do dia, e, ao inv\u00e9s de se dizer dele o que se diz de qualquer imperador: \u201cEst\u00e1 na C\u00e2mara do Conselho\u201d, dizia-se sempre a mesma coisa: \u201cO Imperador est\u00e1 se vestindo\u201d. 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