{"id":112,"date":"2012-12-20T12:03:00","date_gmt":"2012-12-20T14:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/branca-de-neve-e-os-sete-anoes-original-grimms\/"},"modified":"2025-07-27T19:39:09","modified_gmt":"2025-07-27T22:39:09","slug":"branca-de-neve-e-os-sete-anoes-original-grimms","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/branca-de-neve-e-os-sete-anoes-original-grimms\/","title":{"rendered":"Branca de Neve e os sete an\u00f5es (Original Grimms)"},"content":{"rendered":"<div style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<a href=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEhWjizr22edSlPHYBwm5zgQTa8h7TnFhl1QQM8-p4DUgoPG7ePxpvJE3kAGMll-RVu59GwiTBmv1OII0byYt5BYwIg2ewEMAoWSbFXjfhES-549E51n3G0aoBy97b-hR7BXC-OYPrH75wM\/s1600\/contosdefada-brancadeneve.jpg\" style=\"clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"150\" src=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEhWjizr22edSlPHYBwm5zgQTa8h7TnFhl1QQM8-p4DUgoPG7ePxpvJE3kAGMll-RVu59GwiTBmv1OII0byYt5BYwIg2ewEMAoWSbFXjfhES-549E51n3G0aoBy97b-hR7BXC-OYPrH75wM\/s200\/contosdefada-brancadeneve.jpg\" width=\"200\" \/><\/a><\/div>\n<p>H\u00e1 muito, muito tempo mesmo, no cora\u00e7\u00e3o do inverno, enquanto flocos de neve ca\u00edam do c\u00e9u como fina plumagem, uma rainha, nobre e bela, estava ao p\u00e9 de uma janela aberta, cuja moldura era de \u00e9bano.Bordava e, de quando em quando, olhava os flocos caindo maciamente; picou o dedo com a agulha e tr\u00eas gotas de sangue purpurino ca\u00edram na neve, produzindo um efeito t\u00e3o lindo, o branco manchado de vermelho e real\u00e7ado pela negra moldura da janela, que a rainha suspirou e disse consigo mesma:\u201cQuem me dera ter uma filha t\u00e3o alva como a neve, carminada como o sangue e cujo rosto fosse emoldurado de preto como o \u00e9bano!\u201dAlgum tempo depois, teve uma filhinha cuja tez era t\u00e3o alva como a neve,carminada como o sangue e os cabelos negros como o \u00e9bano. Chamaram a menina de Branca de Neve; mas, ao nascer a crian\u00e7a, a rainha faleceu. Decorrido o ano de luto, o rei casou-se em segundas n\u00fapcias, com uma princesa de grande beleza, mas extremamente orgulhosa e desp\u00f3tica; ela n\u00e3o podia suportar a ideia de que algu\u00e9m a sobrepujasse em beleza. Possu\u00eda um espelho m\u00e1gico, no qual se mirava e admirava frequentemente. E ent\u00e3o, dizia:<br \/>\n&#8211; Espelhinho, meu espelhinho, Responde-me com franqueza: Qual a mulher mais bela de toda a redondeza?<br \/>\nO espelho respondia: \u2013 \u00c9 Vossa Realeza a mulher mais bela desta redondeza.Ela, ent\u00e3o, sentia-se feliz, porque sabia que o espelho s\u00f3 podia dizer a pura verdade. <br \/>\n<a name='more'><\/a>No entanto, Branca de Neve crescia e aumentava em beleza e gra\u00e7a; aos sete anos de idade era t\u00e3o linda como a luz do dia e muito mais que a rainha. Um dia a rainha, sua madrasta, consultou como de costume o espelho.- Espelhinho, meu espelhinho, responde-mo com franqueza: Qual a mulher mais bela de toda a redondeza?<br \/>\nO espelho respondeu:- Real senhora, sois aqui a mais bela, Por\u00e9m Branca de Neve \u00e9 de v\u00f3s ainda mais bela!A rainha estremeceu e ficou verde de ci\u00fames. E da\u00ed, ent\u00e3o, cada vez que via Branca de Neve, por todos adorada pela sua gentileza, seu cora\u00e7\u00e3o tinha verdadeiros sobressaltos de raiva.Sua inveja e seus ci\u00fames desenvolviam-se qual erva daninha, n\u00e3o lhe dando mais sossego, nem de dia, nem de noite. Enfim, j\u00e1 n\u00e3o podendo mais, mandou chamar um ca\u00e7ador e disse-lhe:- Leva essa menina para a floresta, n\u00e3o quero mais tornar a v\u00ea-la; leva-a como puderes para a floresta, onde tens de mat\u00e1-la; traze-me, por\u00e9m, o cora\u00e7\u00e3o e o f\u00edgado como prova de sua morte. O ca\u00e7ador obedeceu. Levou a menina para a floresta, sob pretexto de lhe mostrar os veados e cor\u00e7as que l\u00e1 haviam. Mas, quando desembainhou o fac\u00e3o para enterr\u00e1-lo no cora\u00e7\u00e3ozinho puro e inocente, ela desatou a chorar, implorando:<br \/>\n&#8211; Ah, querido ca\u00e7ador, deixa-me viver! Prometo ficar na floresta, e nunca mais voltar ao castelo; assim, quem te mandou matar-me, nunca saber\u00e1 que me poupaste a vida.Era t\u00e3o linda e meiga que o ca\u00e7ador, que n\u00e3o era mau homem, apiedou-se dela e disse: Pois bem, fica na floresta, mas livra-te de sair I\u00e1, porque a morte seria certa. E, em seu \u00edntimo, ia pensando:<\/p>\n<p>\u201cNada arrisco, pois os animais ferozes v\u00e3o devor\u00e1-la em breve e a vontade da rainha ser\u00e1 satisfeita, sem que, eu seja obrigado a suportar o peso de um feio crime\u201d.<br \/>\n<br \/>\nJustamente nesse momento passou correndo um veadinho; o ca\u00e7ador matou-o, tirou-lhe o cora\u00e7\u00e3o e o f\u00edgado e levou-os \u00e0 rainha como se fossem de Branca de Neve.O cozinheiro foi incumbido de prepar\u00e1-los e coz\u00ea-los; e, no seu rancor feroz, a rainha comeu-os com alegria desumana, certa de estar comendo o que pertencera, a Branca de Neve\u2026 Durante esse tempo a pobre menina, que ficara abandonada na floresta, vagava tr\u00eamula de medo, sem saber o que fazer. Tudo a assustava, o ru\u00eddo da brisa, uma folha que ca\u00eda, enfim, tudo produzia nela um terr\u00edvel pavor. Ouvindo o uivar dos lobos, p\u00f4s-se a correr cheia de terror; os pezinhos delicados, feriam-se nas pedras pontiagudas e estava toda arranhada pelos espinhos. Passou ao p\u00e9 de muitos animais ferozes, mas estes n\u00e3o lhe fizeram mal algum. Enfim, \u00e0 noitinha, cansada e ofegante, encontrou-se diante de uma linda casinha situada no meio de uma clareira. Entrou, mas n\u00e3o viu ningu\u00e9m. Contudo, a casa devia ser habitada, pois notou que tudo estava muito asseado e arrumadinho, dando gosto de se ver. Numa graciosa mesa coberta com uma fina e alva toalha, achavam-se postos sete pratinhos, sete colherinhas e sete garfinhos, sete faquinhas e sete copinhos, tudo perfeitamente em ordem.<\/p>\n<p>No quarto ao lado, viu sete caminhas uma junto da outra, com seus len\u00e7\u00f3is t\u00e3o alvos. Branca de Neve, que morria de fome e sede, aventurou-se a comer um pouquinho do que estava servido em cada pratinho, mas, n\u00e3o querendo privar nem um s\u00f3 dono de seu alimento, tirou somente um bocadinho de cada. E bebeu apenas um golinho do vinho de cada um. Depois, n\u00e3o aguentando cansa\u00e7o, foi deitar-se numa caminha, mas a primeira era curta demais, a segunda muito estreita, experimentando-as todas at\u00e9 que a s\u00e9tima tinha a medida justa. Ent\u00e3o fez sua ora\u00e7\u00e3o, encomendou-se a Deus e em breve adormeceu profundamente. Ao anoitecer chegaram os donos da casa; eram os sete an\u00f5es, que trabalhavam durante o dia na escava\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio na montanha. Cada qual acendeu uma lanterninha e, quando a casa se iluminou, viram que algu\u00e9m entrara em sua casa, porque n\u00e3o estava tudo na ordem perfeita conforme haviam deixado ao sair. Sentaram-se \u00e0 mesa, e, ent\u00e3o, disse o primeiro:<\/p>\n<p>&#8211; Quem mexeu na minha cadeirinha? <br \/>\nO segundo: \u2013 Quem, comeu do meu pratinho?<br \/>\nO terceiro: \u2013 Quem tocou no meu p\u00e3ozinho?<br \/>\nO quarto: \u2013 Quem usou o meu garfinho?<br \/>\nO quinto: \u2013 Quem tirou um pouco da minha verdurinha?<br \/>\nO sexto: \u2013 Quem cortou com a minha faquinha?<br \/>\nE o s\u00e9timo: \u2013 Quem bebeu do meu copinho?Depois da refei\u00e7\u00e3o, foram para o quarto; notaram logo as caminhas amassadas; o primeiro reclamou:<br \/>\n&#8211; Quem deitou na minha caminha?<br \/>\n&#8211; E na minha?<br \/>\n&#8211; E na minha? &#8211; gritaram os outros, cada qual examinando a pr\u00f3pria cama.Enfim, o s\u00e9timo descobriu Branca de Neve dormindo a sono solto na sua caminha.Correram todos com suas lanterninhas e cheios de admira\u00e7\u00e3o exclamaram:- Ah, meu Deus! Ah, meu Deus! que encantadora e linda menina!Sentiam-se t\u00e3o transportados de alegria, que n\u00e3o quiseram acord\u00e1-la e deixaram-na dormir tranquilamente.O s\u00e9timo an\u00e3o dormiu uma hora com cada um de seus companheiros; e assim passou a noite.No dia seguinte, quando Branca de Neve acordou e levantou-se, ficou muito assustada ao ver os sete an\u00f5es. Mas eles sorriram-lhe e perguntaram com a maior amabilidade:<br \/>\n&#8211; Como te chamas?<br \/>\n&#8211; Chamo-me Branca de Neve, respondeu ela.<br \/>\n&#8211; Como vieste aqui \u00e0 nossa casa? Ela contou-lhes como sua madrasta mandara mat\u00e1-la e como o ca\u00e7ador lhe permitira que vivesse na floresta. Ap\u00f3s ter corrido o dia todo chegara a\u00ed e, vendo a linda casinha, entrara para descansar um pouco.Os an\u00f5es perguntaram-lhe:- Queres ficar conosco? Aqui n\u00e3o te faltar\u00e1 nada, s\u00f3 tens que cuidar da casa, fazer nossa comida, lavar e passar nossa roupa, coser, tecer nossas meias e manter tudo muito limpo e em ordem; mas; quando tiveres acabado o teu trabalho, ser\u00e1s a nossa rainha.<br \/>\n&#8211; Sim, anuiu a menina \u2013 ficarei convosco de todo o cora\u00e7\u00e3o!E ficou morando com eles, procurando manter tudo sempre em ordem. Pela manh\u00e3, eles partiam para as cavernas em busca de ouro e min\u00e9rios e, \u00e0 noite, quando voltavam, todos jantavam juntos muito alegres. Como a menina ficava s\u00f3 durante \u00f3 dia, os an\u00f5es advertiram-na que se acautelasse:<br \/>\n&#8211; Toma cuidado com a tua madrasta; n\u00e3o tardar\u00e1 a saber onde est\u00e1s, por isso, durante nossa aus\u00eancia, n\u00e3o deixes entrar ningu\u00e9m aqui.<br \/>\nA rainha, entretanto, certa de ter comido o f\u00edgado e o cora\u00e7\u00e3o de Branca de Neve, vivia despreocupada, ela pensava, satisfeita, que era, novamente, a primeira e mais bela mulher do reino. Certo dia, por\u00e9m, teve a fantasia de consultar o espelho, e certa de que lhe responderia n\u00e3o ter mais nenhuma rival em beldade. Assim mesmo disse:- Espelhinho, meu espelhinho, Responde-mo com franqueza: Qual a mulher mais bela de toda a redondeza?<br \/>\nImaginem o seu furor quando o espelho respondeu:<br \/>\n&#8211; Real senhora, do pa\u00eds sois a mais formosa. Mas Branca de Neve, que por tr\u00e1s dos montes vive e em casa dos sete an\u00f5es, \u00e9 de v\u00f3s mil vezes mais formosa!<br \/>\nA rainha ficou furiosa, pois sabia que o espelho n\u00e3o podia mentir. Percebeu, assim, que o ca\u00e7ador a enganara e que Branca de Neve continuava a viver. Novamente devorada pelo ci\u00fame e pela inveja, s\u00f3 pensava na maneira de suprimi-la encontrando algum al\u00edvio s\u00f3 quando julgou ter ao alcance o meio desejado. Pensou, pensou, pensou, depois tingiu o rosto e disfar\u00e7ou-se em velha vendedora de quinquilharias, de maneira perfeitamente irreconhec\u00edvel. Assim disfar\u00e7ada, transp\u00f4s as sete montanhas e foi \u00e0 casa dos sete an\u00f5es; chegando l\u00e1, bateu \u00e0 porta e gritou:<br \/>\n&#8211; Belas coisas para vender, belas coisas; quem quer comprar?<br \/>\nBranca de Neve, que estava no primeiro andar e se aborrecia por ficar sozinha todo o santo dia, abriu a janela e perguntou-lhe o que tinha para vender.<br \/>\n&#8211; Oh! coisas lind\u00edssimas, \u2013 respondeu a velha \u2013 olhe este fino e elegante cinto.<br \/>\nAo mesmo tempo, mostrava um cinto de cetim cor de rosa, todo recamado de seda multicor. \u201cEsta boa mulher posso deixar entrar sem perigo\u201d,calculou Branca de Neve; ent\u00e3o desceu, puxou o ferrolho e comprou o cinto. Mas a velha disse-lhe:<br \/>\n&#8211; Tu n\u00e3o sabes aboto\u00e1-lo! Vem, por esta vez, eu te ajudarei a faz\u00ea-lo, como se deve. A menina postou-se confiante na frente da velha, deixando que lhe abotoasse o cinto; ent\u00e3o a cruel inimiga, mais que depressa, apertou-o com tanta for\u00e7a, que a menina perdeu a respira\u00e7\u00e3o e caiu desacordada no ch\u00e3o.- Ah, ah! &#8211; exclamou a rainha, muito contente \u2013 J\u00e1 foste a mais bela! E fugiu rapidamente, voltando ao castelo.Felizmente, os an\u00f5es, nesse dia, tendo terminado o trabalho mais cedo que de costume, voltaram logo para casa. E qual n\u00e3o foi seu susto ao verem a querida Branca de Neve estendida no ch\u00e3o, r\u00edgida como se estivesse morta! Ergueram-na e viram que o cinto apertava demais sua cinturinha. Logo o desabotoaram e ela come\u00e7ou a respirar levemente e, pouco a pouco, voltou a si e p\u00f4de contar o que sucedera.Os an\u00f5es disseram-lhe:<br \/>\n&#8211; Foste muito imprudente; aquela velha era, sem d\u00favida, a tua horr\u00edvel madrasta. Portanto, no futuro, tenha mais cuidado, n\u00e3o deixes entrar mais ningu\u00e9m quando n\u00e3o estivermos em casa. A p\u00e9rfida rainha, logo que chegou ao castelo, correu ao espelho,esperando, enfim, ouvi-lo proclamar a sua absoluta beleza, o que para ela soava mais deliciosamente que tudo, e perguntou:<br \/>\n&#8211; Espelhinho, meu espelhinho, responde-me com franqueza: Qual a mulher mais bela de toda a redondeza?<br \/>\nComo da outra vez, o espelho respondeu:<br \/>\n&#8211; Real senhora, do pa\u00eds sois a mais formosa. Mas Branca de Neve, que por tr\u00e1s dos montes vive o em casa dos sete an\u00f5es\u2026 \u00e9 de v\u00f3s mil vezes mais formosa! A essas palavras a rainha sentiu o sangue gelar-se-lhe nas veias; empalideceu de inveja e, depois, torcendo-se de raiva, compreendeu que a rival ainda estava viva. Pensou, novamente num meio de perder a inocente, causa de seu rancor.<br \/>\n\u201cAh, desta vez hei de arranjar alguma coisa que ser\u00e1 a tua ru\u00edna!\u201dE, como entendia de bruxedos, pegou num magn\u00edfico pente, cravejado de p\u00e9rolas e besuntou-lhe os dentes com o veneno feito por ela pr\u00f3pria.Depois, disfar\u00e7ando-se de outro modo, dirigiu-se para a casa dos sete an\u00f5es; a\u00ed bateu \u00e0 porta, gritando:- Belas coisas para vender! coisas bonitas e baratas; quem quer comprar? Branca de Neve abriu a janela e disse:<br \/>\n&#8211; Podeis seguir vosso caminho boa mulher; eu n\u00e3o posso abrir a ningu\u00e9m.<br \/>\n&#8211; Mas olhar, apenas, n\u00e3o te ser\u00e1 proibido! \u2013 disse a velha \u2013 Olha este pente cravejado de p\u00e9rolas e digno de uma princesa. Pega nele e admira de perto, nada pagar\u00e1s por isso! Branca de Neve deixou-se tentar pelo brilho das p\u00e9rolas; depois de o ter bem examinado, quis compr\u00e1-lo e abriu a porta \u00e0 velha, que lhe disse:<br \/>\n&#8211; Espera, vou ajudar voc\u00ea a p\u00f4r o pente nos teus lindos e sedosos cabelos,para que estejas bem adornada.<br \/>\nA pobre menina, sem saber, deixou-a fazer; a velha enterrou-lhe o pente com viol\u00eancia; mal os dentes tocaram na pele, Branca de Neve caiu morta sob a a\u00e7\u00e3o do veneno. A rainha maldosa resmungou satisfeita:- Enfim bem morta, Flor de Beleza! \u2013 Agora tudo se acabou para ti! Adeus! \u2013 exclamou, a rainha, soltando uma gargalhada medonha. E apressando-se a regressar ao castelo.<br \/>\nJ\u00e1 estava anoitecendo e os an\u00f5es n\u00e3o tardaram a chegar. Quando viram Branca de Neve estendida no ch\u00e3o, desacordada, logo adivinharam nisso a m\u00e3o da madrasta. Procuraram o que lhe poderia ter feito e encontraram o pente envenenado. Assim que o tiraram da cabe\u00e7a, a menina voltou a si e p\u00f4de contar que sucedera.<br \/>\nNovamente a preveniram que tomasse cuidado e n\u00e3o abrisse aporta, dizendo:- Foi ainda a tua madrasta quem te pregou essa pe\u00e7a. Preciso que nos prometas que nunca mais abrir\u00e1s a porta, seja l\u00e1 a quem for. Branca de Neve prometeu tudo o que os an\u00f5es lhe pediram. Apenas de volta ao castelo, a rainha correu a pegar no espelho e perguntou:- Espelhinho, meu espelhinho, responde-me com franqueza: Qual a mulher mais bela de toda a redondeza?<br \/>\nMas a resposta foi como das vezes anteriores. O espelho repetiu:<br \/>\n&#8211; Real senhora, do pa\u00eds sois a mais formosa, Mas Branca de Neve, que por tr\u00e1s dos montes vive e em casa dos sete an\u00f5es, \u00e9 de v\u00f3s mil vezes mais formosa!<br \/>\nAo ouvir tais palavras, ela teve um assomo de \u00f3dio, grito a raiva malvada:<br \/>\n&#8211; H\u00e1s de morrer, criatura miser\u00e1vel, ainda que eu tenha que o pagar com minha vida! <br \/>\nLevou v\u00e1rios dias consultando todos os livros de bruxaria; finalmente fechou-se num quarto, ciosamente oculto, onde jamais entrava alma viva e a\u00ed preparou uma ma\u00e7\u00e3, impregnando-a de veneno mort\u00edfero.Por fora era mesmo tentadora, branca e vermelha, e com um perfume t\u00e3o delicioso que despertava a gula de qualquer um; mas, quem provasse um pedacinho, teria morte infal\u00edvel. Tendo assim preparado a ma\u00e7\u00e3, pintou o rosto e disfar\u00e7ou-se em camponesa e como tal encaminhou-se, transpondo as sete montanhas e indo bater \u00e0 casa dos sete an\u00f5es. Branca de Neve saiu \u00e0 janela e disse:<br \/>\n&#8211; Vai embora, boa mulher, n\u00e3o posso abrir a ningu\u00e9m; os sete an\u00f5es proibiram.<br \/>\n&#8211; N\u00e3o preciso entrar, \u2013 respondeu a falsa camponesa \u2013 podes ver as ma\u00e7\u00e3s pela janela, se as quiseres comprar. Eu venderei alhures minhas ma\u00e7\u00e3s, mas quero dar-te esta de presente. V\u00ea como ela \u00e9 magn\u00edfica! Seu perfume embalsama o ar.<br \/>\n&#8211; Prova um pedacinho, estou certa de que a achar\u00e1s deliciosa!<br \/>\n&#8211; N\u00e3o, n\u00e3o, \u2013 respondeu Branca de Neve &#8211; n\u00e3o me atrevo a aceitar.<br \/>\n&#8211; Receias, acaso, que esteja envenenada? \u2013 disse a mulher \u2013 Olha, vou comer a metade da ma\u00e7\u00e3 e tu depois poder\u00e1s comer o resto para veres que deliciosa \u00e9 ela.<br \/>\nCortou a ma\u00e7\u00e3 e p\u00f4s-se a comer a parte mais tenra pois a ma\u00e7\u00e3 havia sido habilmente preparada, de maneira que o veneno estava todo concentrado na cor vermelha. Branca de Neve, tranquilizada, olhava cobi\u00e7osamente para a linda ma\u00e7\u00e3 e,quando viu a camponesa mastigar a sua metade, n\u00e3o resistiu, estendeu a m\u00e3o e pegou a parte envenenada. Apenas lhe deu a primeira dentada, caiu no ch\u00e3o, sem vida. Ent\u00e3o a p\u00e9rfida madrasta contemplou-a com ar feroz. Depois, saltando e rindo com uma alegria infernal, exclamou:- Branca como a neve, rosada como o sangue e preta como o \u00e9bano! Enfim,morta, morta, criatura atormentadora! Desta vez nem todos os an\u00f5es do mundo poder\u00e3o despertar-te! Apressou-se a voltar ao castelo; mal chegou, dirigiu-se ao espelho e perguntou:<br \/>\n&#8211; Espelhinho, meu espelhinho, Responde-me com franqueza: Qual a mulher mais bela de toda a redondeza? Desta vez o espelho respondeu:<br \/>\n&#8211; De toda a redondeza agora, Real senhora, sois v\u00f3s a mais formosa!<br \/>\nSentiu-se transportada de j\u00fabilo e seu cora\u00e7\u00e3o tranquilizou-se, enfim, tanto quanto \u00e9 poss\u00edvel a um cora\u00e7\u00e3o invejoso e mau.<br \/>\nOs an\u00f5es, regressando \u00e0 noitinha; encontraram Branca de Neve estendida no ch\u00e3o, morta. Levantaram-na e procuraram, em v\u00e3o, o que pudera causar-lhe a morte; desabotoaram-lhe o vestido, pentearam-lhe o cabelo. Lavaram-na com \u00e1gua e vinho, mas tudo foi in\u00fatil: a menina estava realmente morta. Ent\u00e3o, colocaram-na num esquife e choraram durante tr\u00eas dias. Depois cuidaram de enterr\u00e1-la, por\u00e9m ela conservava as cores frescas e rosadas como se estivesse dormindo. Eles ent\u00e3o disseram:- N\u00e3o, n\u00e3o podemos enterr\u00e1-la na terra preta. Fabricaram um esquife de cristal para que fosse vis\u00edvel de todos os lados e gravaram \u2013 na tampa, com letras de ouro o seu nome e sua origem real; colocaram-na dentro e levaram-na para o cume da montanha vizinha, onde ficou exposta, e cada um por sua vez ficava ao p\u00e9 dele para a guardar contra os animais ferozes. Mas podiam dispensar-se disso; os animais, todos da floresta, at\u00e9 mesmo os abutres, os lobos, os ursos, os esquilos e pombinhas, vinham chorar ao p\u00e9 da inocente Branca de Neve.Muitos anos passou Branca de Neve dentro do esquife, sem apodrecer;parecia estar dormindo, pois sua tez era ainda como a desejara a m\u00e3e: branca como a neve, rosada como o sangue e os longos cabelos pretos como \u00e9bano; n\u00e3o tinha o mais leve sinal de morte. Um belo dia, um jovem pr\u00edncipe, filho de um poderoso rei, tendo-se extraviado durante a ca\u00e7a na floresta, chegou \u00e0 montanha onde Branca de Neve repousava dentro de seu esquife de cristal. Viu-a e ficou deslumbrado com tanta beleza, leu o que estava gravado em letras de ouro e n\u00e3o mais a esqueceu. Pernoitando em casa dos an\u00f5es disse-lhes:- Dai-me esse esquife; eu vos darei todos os meus tesouros para poder lev\u00e1-lo ao meu castelo. Mas os an\u00f5es responderam:<br \/>\n&#8211; N\u00e3o; n\u00e3o cedemos a nossa querida filha nem por todo o ouro do mundo.O pr\u00edncipe caiu em profunda tristeza e permaneceu extasiado na contempla\u00e7\u00e3o da beleza t\u00e3o pura de Branca de Neve; tornou a pedir aos an\u00f5es:- Fazei-me presente dele, pois j\u00e1 n\u00e3o posso mais viver sem a ter diante de meus olhos; quero dar-lhe as honras que s\u00f3 se prestam ao ser mais amado neste mundo. Ao ouvirem essas palavras, e vendo a grande tristeza do pr\u00edncipe, os an\u00f5es compadeceram-se dele e deram-lhe Branca de Neve, certos de que ele n\u00e3o deixaria de coloc\u00e1-la na sala de honra do seu castelo.<br \/>\nO pr\u00edncipe tendo encontrado seus criados, mandou que pegassem no caix\u00e3o e o carregassem nos ombros. Aconteceu, por\u00e9m, que um dos criados trope\u00e7ou numa raiz de \u00e1rvore e, com o solavanco, pulou da boca meio aberta o bocadinho de ma\u00e7\u00e3 que ela mordera mas n\u00e3o engolira. Ent\u00e3o Branca de Neve reanimou-se; respirou profundamente, abriu os olhos, levantou a tampa do esquife e sentou-se: estava viva.- Meu Deus, onde estou? \u2013 exclamou ela.<br \/>\nO pr\u00edncipe, radiante de alegria, disse-lhe:<br \/>\n&#8211; Est\u00e1s comigo. Agora acabaram todos os teus tormentos, bela garota; a mais preciosa que tudo quanto h\u00e1 no mundo; vamos ao castelo de meu pai, que \u00e9 um grande e poderoso rei, e ser\u00e1s a minha esposa bem amada.<br \/>\nComo o pr\u00edncipe era encantador e muito gentil, Branca de Neve aceitou-lhe a m\u00e3o. O rei muito satisfeito com a escolha do filho, mandou preparar tudo para umas n\u00fapcias suntuosas. Para a festa, al\u00e9m dos an\u00f5es, foi convidada tamb\u00e9m a rainha que, ignorando quem era a noiva, vestiu os seus mais ricos trajes, pensando eclipsar todas as damas e donzelas. Depois de vestida, foi contemplar-se no espelho,certa de ouvir proclamar sua beleza triunfante. Perguntou:- Espelhinho, meu espelhinho, Responde-me com franqueza:Qual a mulher mais bela de toda a redondeza?Qual n\u00e3o foi seu espanto ao ouvi-lo responder:<br \/>\n&#8211; Real senhora, de todas aqui solo a mais bela agora, mas a noiva do filho do rei, \u00e9 de v\u00f3s mil vezes mais formosa!<br \/>\nA perversa mulher soltou uma impreca\u00e7\u00e3o e ficou t\u00e3o exasperada que n\u00e3o podia controlar-se e n\u00e3o queria mais ir \u00e0 festa. Entretanto, como a inveja n\u00e3o lhe dava tr\u00e9guas, sentiu-se arrastada a ver a jovem rainha. Quando fez a entrada no castelo, perante a corte reunida, Branca de Neve logo reconheceu sua madrasta e quase desmaiou de susto. A horr\u00edvel mulher fitava-a como uma serpente ao fascinar um passarinho. Mas sobre o braseiro j\u00e1 estavam prontos um par de sapatos de ferro, que haviam ficado a esquentar em ponto de brasa; os an\u00f5es apoderaram-se dela e, cal\u00e7ando-lhe \u00e0 for\u00e7a aqueles sapatos quentes como fogo, obrigaram-na a dan\u00e7ar,a dan\u00e7ar, a dan\u00e7ar, at\u00e9 cair morta no ch\u00e3o. Em seguida, realizou-se a festa com um esplendor jamais visto sobre a terra, e todos, grandes e pequenos, ficaram profundamente alegres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muito, muito tempo mesmo, no cora\u00e7\u00e3o do inverno, enquanto flocos de neve ca\u00edam do c\u00e9u como fina plumagem, uma rainha, nobre e bela, estava ao p\u00e9 de uma janela aberta, cuja moldura era de \u00e9bano.Bordava e, de quando em quando, olhava os flocos caindo maciamente; picou o dedo com a agulha e tr\u00eas gotas de sangue purpurino ca\u00edram na neve, produzindo um efeito t\u00e3o lindo, o branco manchado de vermelho e real\u00e7ado pela negra moldura da janela, que a rainha suspirou e disse consigo mesma:\u201cQuem me dera ter uma filha t\u00e3o alva como a neve, carminada como o sangue e cujo rosto fosse emoldurado de preto como o \u00e9bano!\u201dAlgum tempo depois, teve uma filhinha cuja tez era t\u00e3o alva como a neve,carminada como o sangue e os cabelos negros como o \u00e9bano. Chamaram a menina de Branca de Neve; mas, ao nascer a crian\u00e7a, a rainha faleceu. Decorrido o ano de luto, o rei casou-se em segundas n\u00fapcias, com uma princesa de grande beleza, mas extremamente orgulhosa e desp\u00f3tica; ela n\u00e3o podia suportar a ideia de que algu\u00e9m a sobrepujasse em beleza. Possu\u00eda um espelho m\u00e1gico, no qual se mirava e admirava frequentemente. E ent\u00e3o, dizia: &#8211; Espelhinho, meu espelhinho, Responde-me com franqueza: Qual a mulher mais bela de toda a redondeza? O espelho respondia: \u2013 \u00c9 Vossa Realeza&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":446,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[22],"class_list":["post-112","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-contos","tag-contos","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=112"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":445,"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112\/revisions\/445"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/446"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/luanabeatriz.art\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}